sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde


O romance “O Retrato de Dorian Gray” do irlandês Oscar Wilde, apresenta um sonho atemporal para a humanidade: a juventude e a beleza eternas. O adolescente Dorian Gray era dono de uma grande fortuna e também de uma grande beleza que chamou a atenção do pintor Basil, que lhe propõe pintar um retrato seu. Quando Basil está para terminar a obra, Dorian conhece Lord Henry, que logo se encanta com o jovem e lhe deixa claro a sua tristeza ao perceber que com o passar dos anos, Dorian perderá seu encanto enquanto o quadro manterá sua beleza. Dorian fica perturbado com esta ideia e faz um pedido íntimo: ele daria sua alma para que o quadro envelhecesse em seu lugar. Depois de causar, mesmo indiretamente, o suicídio da namorada, Dorian chega à sala de sua casa, onde estava o quadro, e nota um sorriso irônico no retrato. Ele percebe que seu pedido fora atendido. Dorian reluta, mas aceita a ideia de que a partir daquele momento, o quadro seria sua alma e toda a maldade, toda a feiura, toda marca de envelhecimento, se manifestariam não na sua face, mas sim, na face do seu retrato. Ele esconde o quadro no sótão para que ninguém veja as mudanças que ocorreriam nele. A feiura transposta para o retrato não era apensa física, mas também espiritual, a feiura de uma alma deturpada que a partir daquele momento nasceu em Dorian. Ao ser presenteado com um livro por seu amigo Lord Henry, Dorian torna-se um consumidor desenfreado e se afasta cada vez mais de Basil. Vinte anos passaram e Dorian Gray continuava com o rosto belo e jovem de um adolescente, enquanto torna-se cada vez mais egoísta e cruel, causando muito mal aos que se aproximam dele. O retrato, agora irreconhecível, continua guardado, até que um dia, Basil descobre a verdade e tenta esfaqueá-lo para livrar o antigo amigo da perda da alma. Quando Basil tenta fazer isso, Dorian se desespera e o impede de fazer o que pretende, matando-o. Quando Dorian resolve recuperar sua alma ele destrói o quadro e ao encontra-lo, só reconhecem seu corpo pelos anis em seus dedos, já que toda a feiura do retrato de transfere para ele e sua alma fica totalmente limpa. “O Retrato de Dorian Gray” é uma obra intensa sobre a importância que a sociedade dá à beleza e ao materialismo em detrimento ao subjetivismo e aso sentimentos verdadeiros do ser humano. Oscar Wilde construiu uma obra atemporal que trata de um tema universal; a extrema vaidade. O romance rompeu barreiras irlandesas e até os dias atuais, causa um sentimento intenso nos leitores que conhecem o “jovem” Dorian Gray.

O Quinze - Rachel de Queiroz


A escritora Rachel de Queiroz escreveu em 1930 seu mais popular romance “O Quinze”. A obra regionalista tem este título porque retrata a seca de 1915 que a própria autora enfrentou ainda na infância no seu estado natal o Ceará.O enredo desenvolve-se na região de Logradouro, próxima a Quixadá. É interessante notar que a divisão de classes sociais não é destacada pela autora, já que a situação é a mesma tanto para a família do lavrador Chico Bento, quanto para o proprietário de terras, Vicente. A família de Chico Bento parte com a esperança de encontrar uma vida melhor na capital, mas encontram no caminho a fome numa cena comovente na qual são obrigados a comer tripas de um cabrito, além da degeneração da família, já que dos seus cinco filhos em se perde no caminho, outro morre, a cunhada de Chico também se perde...Outra personagem interessante do romance é a professora Conceição, uma jovem que não se adapta aos costumes da região e, apesar de apaixonada por Vicente, não o aceita depois de decepcionar-se com atitudes dele em relação às mulheres. Ao chegarem à cidade grande, depois de passar por inúmeras provações no caminho, a família de Chico Bento se estabelece num lar para refugiados da seca, onde Conceição trabalha como voluntária. Um ponto destacável do romance é a falta de vilanias e de opositores. Como em “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o maior antagonista da estória é o clima, a natureza seca e triste do sertão. É a seca que obriga as famílias de pobres lavradores a migrarem para a cidade, sem esperanças nenhuma no campo, mas, com mínimas alternativas urbanas. A seca faz com que Vicente se emocione ao notar os primeiros pingos d’água caindo depois de muito tempo.Os romances da década de trinta primaram pelo regionalismo, Rachel de Queiroz não foge a regra com “O Quinze”, uma narrativa mais leve que “Vidas Secas”, mas que, da mesma forma traça um retrato do Ceará e seu povo castigado pelos fatores naturais, abalados por uma seca que os impede de trabalhar e ver a terra produzir. Coube a Rachel de Queiroz ser a primeira mulher a adentrar no fechado grupo da Academia Brasileira de Letras, abrindo caminho para um futuro promissor no qual surgiram entre outras, Clarice Lispector e sua obra única e Cecília Meireles com sua poesia intimista.



Crítica ao romance:


"Todos os grandes livros têm um mistério inviolável. Ninguém saberá jamais, mesmo quem o escreveu, porque coube a uma professorinha de vinte anos dar ao romance brasileiro uma das suas obras definitivas."

Adolfo Casais Monteiro

sábado, 20 de junho de 2009

Um Conto de Natal - Charles Dickens





Quem não conhece o personagem Tio Patinhas do desenho animado Duck Tales, Os Caçadores de Aventuras?O que muita gente não sabe é que o rabugento imigrante escocês mais pão duro do mundo dos desenhos animados foi inspirado num personagem do "Conto de Natal" do escritor inglês Charles Dickens. O velho solteirão podre de rico conhecido como senhor Scrooge era tão sovina que só pensava no dinheiro. Em plena noite de Natal ele obriga seus funcionários a trabalharem na sua firma "Marley e Scroog" e fica irritado quando seu sobrinho lhe oferece um "Feliz Natal".Visitado pelo espírito do sócio falecido Marley, o sovina Scroog tem uma surpresa quando o antigo sócio aparece coberto por correntes, correntes que ele mesmo construiu em vida, correntes que o dinheiro lhe trouxe, já que ele viveu apenas para este fim quando andou pela Terra. O fantasma de Marley diz ao sócio que para se livrar de ter o mesmo destino que o seu, ele precisa receber a visita de três espíritos naquela noite cristã.E ele recebe primeiramente a visita do espírito do Natal passado que o leva a uma viagem aos tempos passados da sua infância, quando o pai o expulsou de casa e sua irmãzinha foi buscá-lo com todo o carinho do mundo.Agora ele desprezava o sobrinho, filho da irmã que tanto o amava, Scroog fica muito triste com as lembranças que o primeiro espírito lhe apresenta.O segundo espírito é o do Natal presente. Ele leva o velho sovina até a casa do seu empregado, que sofre por ser explorado e por ganhar pouco, o que lhe impede de cuidar da saúde do filhinho doente que logo morrerá sem condições de tratamento.O terceiro espírito é o dos Natais futuros e ao contrário dos outros dois, ele não fala uma única palavra, apenas leva Scroog a conhecer seu futuro se continuar naquele estilo de vida capitalista e egoísta.Scroog vê a si próprio morto, sem ninguém para chorar sua perda, sendo roubado por ladrões que não se importam com a memória do velho morto.Ele se desespera e quando acorda depois de receber o último espírito, decide mudar de vida, se envolver mais com a família do sobrinho, ser solidário com seus empregados,ajudar as crianças pobres no Natal dando-lhes presentes...e assim, o Scroog sovina se tornou o "Scroog das crianças", um homem bom e solidário, que vivia seu Natal como nenhum outro naquela cidade e quando ele morreu já velhinho, muitos choraram a perda daquele homem que recebeu algumas visitas ilustres numa noite de Natal, visitas que mudaram o rumo de sua vida para sempre.O conto natalino de Charles Dickens é uma fábula ao amor fraterno e ao espírito natalino tão esquecido em tempos capitalistas que transformam o Natal numa data comercial. Uma obra simples, mas que encanta os leitores há muitas gerações pela forma sensível como ocorre a transformação do velho Scroog de um rabugento materialista numa figura carismática e solidária.É talvez a obra mais ingênua de Dickens, uma ingenuidade que emprega um encanto especial ao conto natalino.



Daphne Du Maurier


Filha e neta de renomados artistas – a ator inglês Gerald Du Maurier e o escritor George Du Maurier, emigrado da França – Daphne Du Maurier nasceu em Londres, Inglaterra, a 13 de maio de 1907. Desde a adolescência escrevia contos e poemas, publicando com sucesso o primeiro romance, O Espírito Amante ( The Loving Spirit), aos 24 anos, em 1931. No ano seguinte, casou-se com um oficial do exército inglês, que quisera conhecê-la por causa do seu livro. Foi então morar em Hampshire, onde viveu até os últimos dias da sua vida. Trabalhando principalmente sobre temas sentimentais, emplogando e criando suspense com personagens desenvolvidos num clima de mistério e romântica irrealidade, escreveu vários best-sellers internacionais. O mais conhecido, Rebecca (Rebecca, 1939), já comoveu vários gerações, vendendo acima de um milhão de exemplares, tendo sido adaptado para o cinema em 1940 por Alfred Hitchcock em 1940, tornando-se um grande clássico da sétima arte. Foi adaptado também para a TV.Também são destacáveis Uma taberna na Jamaica (Jamaica Inn, 1936), O General do Rei (The King’s General, 1946), Os Parasitas (The Parasites, 1949) e Minha Prima Raquel (My Cousin Raquel, 1951). Ela fez ainda duas incursões pela literatura de ficção científica, com Os Pássaros (The Birds) também adaptado por Hitchcock, além de O espião do passado (The house of strand) que utiliza como tema a viagem no tempo. Daphne faleceu em 19 de abril de 1989 e, conforme seu desejo foi cremada e suas cinzas foram jogadas nas colinas próximas a sua casa.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A poesia morreu? Não fui eu que matei!

A poesia nos dias atuais não é o gênero mais popular entre alunos e leitores comuns...não entendo o porquê de pessoas que adoram ler romances não gostarem de ler poesia! uns dizem que é porque a leitura é difícil...mas eu não acredito que seja por isso não. Os romances também são difíceis e no entanto, este gênero é um dos mais populares, embora o conto seja mais adequado ao mundo moderno no qual as coisas têm que ser rápidas, até mesmo a Literatura.
A sociedade de hoje não consegue ver a poesia que existe nos momentos mais simples do dia a dia. Claro que há romances carregados de poesia...um exemplo é o "Ciclo de Clarissa" do escritor Érico Verissimo. Nos romances que o compõe, o autor consegue colocar poesia nos momentos mais simples e cotidianos da vida...mas a poesia é o estilo que representa esta sensibilidade de ver o mundo que as pessoas não cultivam mais e isso pode ser culpa do capitalismo que faz as pessoas trabalharem sem direito à cultura, pode ser também uma mudança que o ser humano sofreu de um século para outro...várias podem ser as razões.
Eu gosto mutio da poesia modernista, dos poemas assimétricos...mas a minha grande paixão são os poemas mais tradicionais se assim se pode dizer. Eu não consigo deixar de me emocionar ao ler Pablo Neruda dizendo:
Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Ou ao ler Castro Alves lamentando seu amor que se foi e relembrando os bons momentos que viveram juntos:
Horas de saudade

TUDO VEM me lembrar que tu fugiste,
Tudo que me rodeia de ti fala.
Inda a almofada, em que pousaste a fronte
O teu perfume predileto exala

No piano saudoso, à tua espera,
Dormem sono de morte as harmonias.
E a valsa entreaberta mostra a frase
A doce frase qu'inda há pouco lias.

As horas passam longas, sonolentas...
Desce a tarde no carro vaporoso...
D'Ave-Maria o sino, que soluça,
É por ti que soluça mais queixoso.

E não Vens te sentar perto, bem perto
Nem derramas ao vento da tardinha,
A caçoula de notas rutilantes
Que tua alma entornava sobre a minha.

E, quando uma tristeza irresistível
Mais fundo cava-me um abismo n'alma,
Como a harpa de Davi teu riso santo
Meu acerbo sofrer já não acalma.

É que tudo me lembra que fugiste.
Tudo que me rodeia de ti fala...
Como o cristal da essência do oriente
Mesmo vazio a sândalo trescala.

No ramo curvo o ninho abandonado
Relembra o pipilar do passarinho.
Foi-se a festa de amores e de afagos...
Eras — ave do céu... minh'alma — o ninho!

Por onde trilhas — um perfume expande-se.
Há ritmo e cadência no teu passo!
És como a estrela, que transpondo as sombras,
Deixa um rastro de luz no azul do espaço ...

E teu rastro de amor guarda minh'alma,
Estrela que fugiste aos meus anelos!
Que levaste-me a vida entrelaçada
Na sombra sideral de teus cabelos! ...
Não sei, acho que eu sou uma pessoa que nasceu na época errada rsrsrsrsrsrsrs.
Mas o mais importante pra mim é ter chance de propagar estas preciosidades e não deixá-las morrer...

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Barba Azul - Charles Perrault


A expressão “Barba Azul” é utilizada para designar um homem que mata a esposa. Não entendia o porquê disso até ler o conto Homônimo de Charles Perrault. Ele mesmo, Charles Perrault, aquele que escreveu uma das versões da “Chapeuzinho Vermelho”. “O Barba Azul” assim como “Chapeuzinho Vermelho” está longe de ser um conto para criancinhas dormirem, já que a trajetória de Chapeuzinho foi escrita para aconselhar as mocinhas a não darem atenção aos “lobos” que as rodeiam e não se distanciar do “bom caminho”. “O Barba Azul” é um conto macabro, intenso, mas com final feliz, pelo menos para a protagonista.Um homem com uma fortuna muito grande, cercado de vários mistérios, entre eles, a sua barba estranhamente azul e a morte de suas esposas dias após o matrimônio. Ele resolve contrair as núpcias mais uma vez e escolhe uma jovem vizinha que no início repele a idéia de casar-se com aquele homem de barba azul e comportamento suspeito em relação às esposas mortas. Mas, quando conhece a riqueza do pretendente a barba vai se tornando aos poucos menos azul e a imagem dele se tornando menos repulsiva à moça que logo se rende e casa-se com o vizinho misterioso.Poucos dias após o casamento, o Barba Azul resolve fazer uma viagem e deixa para a esposa algumas chaves, dando-lhe permissão de abrir todas as portas da casa, menos a porta que pode ser aberta por uma das chaves concedidas.Como a curiosidade é um defeito comum ao ser humano, a jovem esposa não resiste e resolve abrir a porta proibida. Ao abri-la seu susto foi imenso, já que se encontravam organizadas numa prateleira as cabeças decepadas das antigas esposas de seu marido, além de muito sangue que escorria pelo chão. Ela derruba a chave que sendo mágica, não permite que as marcas de sangue nela sejam apagadas. Com a chegada do marido, a esposa encontra-se desesperada com a promessa dele de que o destino dela seria o mesmo das outras esposas. Ela consegue avisar seus irmãos e quando o marido está prestes a cortar sua cabeça ela implora alguns minutos para rezar antes de morrer. Os irmãos conseguem chegar e livra-la da morte, matando o Barba Azul e colocando fim nos seus crimes. O desfecho feliz vem com a herança deixada pelo Barba Azul para a última esposa, bem como o casamento desta com um homem bom com quem poderia desfrutar todo o dinheiro do falecido assassino. Erroneamente classificado como conto de fadas, “O Barba Azul” é se assim se pode dizer, um pioneiro dos contos de horror macabros que se desenvolveriam no século XIX com Edgar Allan Poe e outros escritores do gênero. Não podemos afirmar que esta era a intenção de Perrault, mas é certo afirmar que este conto possui uma pitada de crítica à sociedade (O casamento da jovem com um homem rico mas de caráter duvidoso), além de elementos fantásticos como a chave mágica, cúmplice do assassinato das esposas.
Charles perrault foi um grande colaborador no desenvolvimento do conto e sua obra vai muito além dos populares "Contos de fadas".

sábado, 13 de junho de 2009

Livros que fazem perder noites de sono

Muitos me perguntam, ao saber que eu gosto de ler, qual é a graça de ficar algumas horas do dia lendo um livro. Antigamente eu não sabia responder e dizia “Leio por ler, é algo que eu gosto”...realmente eu nunca li por imposição, nunca fui obrigada a ler, sempre li porque gostava. Hoje em dia, se alguém me fizer esta pergunta novamente eu saberei responder de uma forma mais específica, eu direi que é porque a leitura me faz perder noites de sono. Não; podem ficar tranqüilos que eu não passo noites inteiras lendo ao invés de dormir...eu passo noites sem dormir depois que termino as minhas leituras. Quando li “Dom Casmurro” pela primeira vez, fiquei duas semanas pensando no livro quando me deitava em minha cama à noite. Pensava em Capitu, nunca havia conhecido uma mulher daquele jeito, tão misteriosa...pensava em Bentinho, será que ele fez uma besteira e pôs tudo a perder por causa de ciúmes ou ele foi mesmo traído? Era como se eu fizesse uma viagem imaginária por estas estórias, e assim passavam uma, duas, três da madrugada e eu sem dormir. Quando estava no segundo ano da faculdade, eu resolvi ler um livro que procurava há tempos: “O Morro dos ventos uivantes”. Eu sempre quis ler este livro, mas não sabia nada sobre ele, só achava o nome poético. Quando eu o li, passei novamente horas sem dormir pensando naqueles personagens, naquele lugar, naquelas situações, naquele sofrimento todo...E outros livros vieram e virão...alguns me encantam, outros nem tanto, mas o que importa de verdade, é a paixão que estas “viagens noturnas” fizeram nascer em mim. Eu, uma moça do interior do Brasil, viajei pelas charnecas frias da Inglaterra, pelo Rio de Janeiro, pela Itália, pela França, até mesmo pelo deserto! Era como se a Literatura fosse uma fuga dos meus problemas e do ostracismo no qual eu vivia. Como se eu tivesse alguma coisa no que pensar além dos assuntos escolares, dos problemas familiares, das intrigas com os amigos, como se a minha vida ganhasse cor e eu me realizasse através das grandes personagens dos romances que eu lia, através dos belos lugares que eu conhecia pelos livros...As horas de sono que eu perdi não prejudicaram minha saúde, pelo contrário, eu cresci como ser humano através das minhas leituras, eu ganhei experiência de vida, conheci tipos humanos diversos... se hoje eu sou uma pessoa consciente do mundo a minha volta, eu devo tudo as horas de sono que eu perdi pensando nos livros que eu li.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Literatura é coisa nossa

Uma das minhas maiores curiosidades, é entender porque a Literatura Inglesa não é tão popular no nosso meio, e quando digo nosso meio, me refiro ao que está ao meu alcance...poucas pessoas que conheço apreciam ler um romance de Charles Dickens ou de Jane Austen. Muitos sequer ouviram falar destes autores. Quando se trata de Literatura norte-americana então, a situação piora e muito...acho intrigante que sejamos tão influenciados pela cultura pop dos EUA e não nos interessemos pelos grandes escritores daquele país. Qual seria a razão? Há um tempo a minha opinião era a de que a cultura norte-americana era fraca, mas agora compreendo claramente que não existe uma cultura menor que a outra.Cada país tem uma cultura diferente e ela tem que ser entendida individualmente e não comparada com outras. Claro que na Inglaterra há costumes e tradições diferentes dos EUA e de outros países do continente americano como o Brasil, por exemplo...ora, a Inglaterra é uma nação antiga em termos de civilização, nós e nossos vizinhos da América do Norte pertencemos ao novo mundo, e para a história mundial 500 anos tornam o nosso continente uma criança. Mas acredito que nada disso seja motivo para a pouca popularidade da literatura inglesa, principalmente a escrita nos EUA. Deve ser uma questão de contato com a Literatura. A preguiça de ler não permite que alguns jovens conheçam a literatura do nosso país, imaginem a de outros...quantas vezes nós nos deparamos com frases como “Eu detesto ler, não entendo nada que está escrito nestes livros antigos”... ou então “Jamais vou perder meu tempo lendo um livro”. O grande desafio é mostrar, principalmente aos jovens, que não precisam se preocupar, basta deixar com que a obra o sensibilize que o entendimento virá naturalmente. Para compreendermos, temos que amar a Literatura, viajar através dela...muitos acreditam que a Literatura é inacessível e para ler, precisa-se estudar Letras e andar com um dicionário debaixo do braço. Porque não popularizar a Literatura? Meu sonho é que chegue o dia em que no nosso país os idosos que jogam baralho na praça discutam literatura enquanto conversam, que os adolescentes conversem sobre seus livros preferidos durante uma festa, que as senhoras durante suas caminhadas substituam as conversas sobre o cotidiano por conversas literárias. Meu sonho é que a Literatura se torne “coisa da gente” e não apenas objeto de estudo de meia dúzia de intelectuais. Somente desta forma, veremos igualdade nesta nação, pois, parafraseando Monteiro Lobato, “um país se faz de homens e livros”. A leitura leva o ser humano a entender melhor o mundo, suas fraquezas, seus dilemas, suas injustiças, seus direitos.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

ANNABEL LEE - Edgar Allan Poe

Estes vídeos trazem a versão original do poema de Edgar Allan Poe.



Cruz e Sousa


João da Cruz e Sousa nasceu em 21 de novembro de 1861, em Desterro, hoje Florianópolis. Filho de escravos, negro sem mescla, o próprio poeta, ao nascer, sustentava a condição de escravo. Sua família foi alforriada por seu dono, o Marechal Guilherme Xavier de Sousa, no início da Guerra do Paraguai. O antigo senhor e sua esposa cuidaram do menino João da Cruz, dando-lhe o sobrenome Sousa. Sempre com a proteção do marechal Guilherme, Cruz e Sousa estudou no Liceu Provincial catarinense. Em 1882, juntamente com Virgílio Várzea, dirige a Tribuna Popular, jornal abolicionista. Em 1883 vê-se impelido a abandonar sua terra natal, por problemas de preconceito racial. Nessa época, trabalha como ponto e secretário da companhia teatral de Julieta dos Santos, percorrendo quase todas as províncias brasileiras. Voltando para Santa Catarina, é nomeado promotor público em Laguna, mas não chega a assumir o cargo, novamente por causa do preconceito. Transfere-se para o Rio de Janeiro; trabalha na imprensa, mas seu melhor salário é o de um miserável empregado na Estrada de Ferro Central do Brasil.Em 1893 casa-se com Gavita Rosa Gonçalves, também negra; o casal teve quatro filhos, todos falecidos prematuramente (o de vida mais longa morreu aos 17 anos). Gavita enlouquece e permanece internada durante longo tempo. Morrem a mãe e o pai do poeta. Em 1897, tuberculoso e pobre, procura refúgio na cidade mineira de Sítio, vindo a falecer no dia 19 de março de 1898. Seu corpo foi transladado de Minas Gerais para o Rio de Janeiro fora do esquife, num vagão de animais.



Opinião de outros autores sobre Cruz e Sousa:


“Fosse um negro norte-americano, Cruz e Sousa tinha inventado o blues. Brasileiro, só lhe restou o verso, o soneto e a literatura para construir a expressão da sua pena”.

Paulo Leminski



“Que admirável evocador de sons e imagens, que formidável e ao mesmo tempo delicado criador de sonho.”

Sousa Bandeira