domingo, 28 de novembro de 2010

Contos de amor rasgados - Marina Colasanti


Neste livro Marina Colasanti faz uma interessante incurssão pelo tema AMOR, aliando a inteligência se seus ensaios à criatividade ficicional que possui.
O livro possui uma feminilidade que extravasa as meras aparências do senso comum, apresentando minicontos, pequenas fábulas, ou mesmo poemas em prosa com os quais o leitor se identifica desde o início da leitura, seja ele homem ou mulher.
Percebemos as pequenas alegrias e tragédias que movem esta aventura incrível que é a vida e isso se dá através de enredos que vão além daquilo que podemos compreender.
O livro guarda em comum com as demais obras da escritora a comunicação direta e a linguagem emotiva, que faz com que o leitor encontre a poesia nas diversas situações narradas em cada linha escrita por Marina Colasanti.



Deixo aqui um dos meus minicontos preferidos:



Amor de longo alcance
Durante anos, separados pelo destino, amaram-se a distância. Sem que um soubesse o paradeiro do outro, procuravam-se através dos continentes, cruzavam pontes e oceanos, vasculhavam vielas, indagavam. Bússola da longa busca, levavam a lembrança de um rosto sempre mutante, em que o desejo, incessantemente, redesenhava.
Já quase nada havia em comum entre aqueles rostos e a realidade, quando enfim, numa praça se encontraram. Juntos, podiam agora viver a vida com que sempre haviam sonhado.
Porém cedo descobriram que a força do seu passado amor era insuperável. Depois de tantos anos de afastamento, não podiam viver senão separados, apaixonadamente desejando-se. E, entre risos e lágrimas, despediram-se, indo morar em cidades distantes.



É muito bela esta visão de que o amor basta por si próprio e não precisa estar perto da pessoa amada para continuar vivo. Mas então qual seria a razão da longa busca? Pode ser a emoção de viver a procura da emoção passada, das coisas boas vividas juntos, de um rosto sempre mutante que se redesenhava quando o tempo queria apagá-lo da memória. Como se fosse uma felicidade clandestina, os dois se procuram levando apenas as lembranças, nada de concreto. Quando se descobrem, percebem que a força do passado era insuperável e nada faria com que os belos tempos voltassem da forma como eram. Seria melhor então ir viver em cidades distantes. Desfecho triste? Depende da visão que o leitor tiver, pois os dois escolheram partir, já que não precisavam estar pertos, pois o amor era de longo alcance. Não é fácil entender esta escolha, parece improvável para uma sociedade objetiva como a nossa que alguém consiga viver sem uma presença física, sem ter a "coisa" amada por perto. Não foi fácil assim para os dois amantes, eles se despediram entre risos e lágrimas, mas perceberam que, no grande livro da vida, poderiam ler as melhores páginas unidos pelo sentimento, apenas isso bastaria.





sábado, 20 de novembro de 2010

Pai contra Mãe - Machado de Assis


Um pai e uma mãe. Dois dramas eminentes e uma única saída: ter compaixão ou cumprir um objetivo para seu próprio benefício. Cândido Neves, caçador de escrados fugitivos, precisa encontrar uma forma de permanecer com o filho, pois não tem dinheiro para manter o menino. Desesperado, sai com ele nos braços rumo a roda dos enjeitados. No caminho para o fatal destino, uma esperança começa a brilhar: uma escrava fugitiva poderia lhe trazer dinheiro suficiente para salvar o filho do abandono.
Ao deparar-se com a pobre escrava grávida implorando-lhe a compaixão, pois não quer ser cativa novamente e ver o filho ter o mesmo destino que a atormenta, Cândido Neves tem em sua frente um dilema muito íntimo, pois ele também é pai e, assim como aquela escrava, luta pelo filho. Na luta do pai branco contra a mãe negra o primeiro acaba vencendo e, quando a mãe aborta o bebê devido aos maltratos que recebera na captura e nos castigos, Cândido encontra uma forma típicamente machadiana de aliviar a consciência: "Nem todas as crianças vingam". Ora, o pequeno escravo poderia nascer morto de qualquer forma, ou morrer ainda bebê por consequência da situação precária na qual seria inserido.
Cândido precisa acreditar nesta "verdade" que encontrou, ele precisa voltar para a casa e viver em paz com o filho e a esposa. Nada mais conveniente.
Machado de Assis apresenta neste conto aspectos da miséria existente no Rio de Janeiro do período imperial, que contrapõe-se a riqueza e ostentação dos senhores de escravos. Logo no início, descreve formas de torturas utilizadas pelos escravocratas para manter os cativos submissos. Na descrição, nenhuma crítica clara, apenas a apresentação de objetos e situações que, por si próprios, chocam o leitor dos nossos tempos e o deixa consternado. E o leitor daquela época? Seria o filho do escravocrata leitor do conto "Pai contra Mãe"? E se fosse, sentiria vergonha pelos métodos crueis utilizados por seus pais? Saberiam que cada grão do café cultivado em suas terras foi regado com o sangue dos homens que vieram da África para alimentar o sistema monárquico brasileiro?
Não sendo Machado de Assis um homem de manifestações públicas e gritantes, teve ele a pena como forma de expressar sua indignação diante de uma situação opressora e desumana como a escravidão.
Poderíamos comparar sua luta com a do poeta Castro Alves? Não sei, cada um tem seus próprios méritos, Machado com sua ironia fina e sarcástica e Castro Alves com o ardor do abolicionismo em cada verso de cada poesia voltada à libertação dos escravos.
Neste dia 20 de novembro, no qual lembramos a luta de muitos homens e mulheres pela igualdade entre raças em solo brasileiro, temos que aprender com os escritores que usaram da palavra a maior arma para construir um país justo e humano, por isso deixaram grandes obras que vivem eternamente e podem servir para qualquer tempo, seja na explícita segregação do século XIX ou na velada forma de excluir dos nossos tempos.
Desta forma, damos continuidade a luta do líder Zumbi dos Palmares e de tantos outros que deram a vida pela causa da liberdade e da construção de uma sociedade que valoriza o ser humano pelo seu caráter e pelas sua boas ações, não pela cor da sua pele.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Manuel Bandeira



Nascido no Recife em 19 de abril de 1886, Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho tinha como pais o engenheiro civil Manuel Carneiro de Souza e Francelina Ribeiro de Souza Bandeira. Quando Manuel tinha apenas quatro anos a família se mudou para o Rio de Janeiro, depois para São Paulo, para enfim, retornar ao Rio. No ano de 1892 a família Bandeira voltou para o Recife, onde o futuro poeta fez seus estudos primários.
Continuando os estudos, Manuel Bandeira bacharelou-se em Letras e, em 1903, matriculou-se na Escola Politécnica de São Paulo para fazer o curso de engenheiro-arquiteto. Nas férias do primeiro para o segundo ano ele adoeceu e teve que abandonar definitivamente os estudos. Durante seu tratamento de saúdo fez estações de cura em vários lugares do Brasil, como Minas Gerais, no Estado do Rio de Janeiro, Ceará, e por fim, viajou para a Suíça, onde permaneceu entre os anos de 1913 e 1914, tendo como companheiro de sanatório o poeta Paul Éluard. Regressando ao Rio de Janeiro, lançou em 1917 seu primeiro livro de poemas "A Cinza das Horas" . Em 1918 conhece Ribeiro Couto e, por meio deste, os escritores paulistas que em 1922 lançam o movimento modernista. A partir de 1925 começa a escrever para a imprensa, colaborando em várias revistas e jornais.
Trabalhou também em cargos ligados a educação e cultura do país, em 1935 foi nomeado inspetor de ensino secundário; em 1938, professor de Literatura Universal no Externato do Colégio Pedro II, em 1942, professor de Literaturas hispano-americanas na Faculdade Nacional de Filosofia, sendo aposentado por lei especial do Congresso em 1956. Desde o ano de 1938, Manuel Bandeira era membro do Conselho Consultivo do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Em 1940 é eleito membro da Academia Brasileira de Letras, e em 1942 membro da Sociedade Felipe d'Oliveira.
Manuel Bandeira recebeu vários prêmios por sua obra, entre eles o prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira em 1937 pelo conjunto da obra e o prêmio de poesia do Instituto Brasileiro de Educação e Cultura em 1940, também pelo conjunto da obra.
Sua posição na poesia brasileira é das mais importantes, sendo um dos pioneiros do Modernismo e o principal introdutor do movimento. Mário de Andrade o definiu como "o São João Batista do Modernismo".
O escritor faleceu no dia 13 de outubro de 1968 na cidade do Rio de Janeiro.
Algumas obras do autor:


Poesia:- A Cinza das Horas - Jornal do Comércio - Rio de Janeiro, 1917 (Edição do Autor)
- Carnaval - Rio de janeiro,1919 (Edição do Autor)
- Poesias (acrescida de O Ritmo Dissoluto) - Rio de Janeiro, 1924
- Libertinagem - Rio de Janeiro, 1930 (Edição do Autor)
- Estrela da Manhã - Rio de Janeiro, 1936 (Edição do Autor)
- Poesias Escolhidas - Rio de Janeiro, 1937
- Poesias Completas acrescida de Lira dos cinqüent'anos) - Rio de Janeiro, 1940 (Edição do Autor)
- Poemas Traduzidos - Rio de Janeiro, 1945
- Mafuá do Malungo - Barcelona, 1948 (Editor João Cabral de Melo Neto)
- Poesias Completas (com Belo Belo) - Rio de Janeiro, 1948
- Opus 10 - Niterói - 1952
- 50 Poemas Escolhidos pelo Autor - Rio de Janeiro, 1955
- Poesias completas (acrescidas de Opus 10) - Rio de Janeiro, 1955
- Poesia e prosa completa (acrescida de Estrela da Tarde), Rio de Janeiro, 1958
- Alumbramentos - Rio de Janeiro, 1960
- Estrela da Tarde - Rio de Janeiro, 1960
- Estrela a vida inteira, Rio de Janeiro, 1966 (edição em homenagem aos 80 anos do poeta).
- Manuel Bandeira - 50 poemas escolhidos pelo autor - Rio de Janeiro, 2006.

Prosa:- Crônicas da Província do Brasil - Rio de Janeiro, 1936
- Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938
- Noções de História das Literaturas - Rio de Janeiro, 1940
- Autoria das Cartas Chilenas - Rio de Janeiro, 1940
- Apresentação da Poesia Brasileira - Rio de Janeiro, 1946
- Literatura Hispano-Americana - Rio de Janeiro, 1949
- Gonçalves Dias, Biografia - Rio de Janeiro, 1952
- Itinerário de Pasárgada - Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954
- De Poetas e de Poesia - Rio de Janeiro, 1954
- A Flauta de Papel - Rio de Janeiro, 1957
- Itinerário de Pasárgada - Livraria São José - Rio de Janeiro, 1957
- Prosa - Rio de Janeiro, 1958
- Andorinha, Andorinha - José Olympio - Rio de Janeiro, 1966
- Itinerário de Pasárgada - Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1966
- Colóquio Unilateralmente Sentimental - Editora Record - RJ, 1968
- Seleta de Prosa - Nova Fronteira - RJ
- Berimbau e Outros Poemas - Nova Fronteira - RJ


Além de diversas antologias que incluem poesia e prosa.

domingo, 7 de novembro de 2010

Eugenia Grandet - Honoré de Balzac


Honoré de Balzac é muito popular pelo romance "A mulher de trinta anos", obra da qual surgiu o termo "balzaquiana" usado para designar as mulheres na faixa dos trinta anos. Porém, o próprio escritor entendia que este é seu romance mais fraco em termos de qualidade literária.
O "Escritor Fábrica" teve muitos méritos que não deixaram que um romance fraco lhe diminuísse o valor. Entre estes méritos, está o romance "Eugenia Grandet" .
O romance é datado de 1833 e apresenta a pequena cidade francesa de Saumur na qual os princípios da ascensão da burguesia eram vistos claramente na figura do Pai Grandet (ou Tio Grandet), velho tanoeiro abastado que, aproveitando-se da Revolução Francesa, uniu seus dinheiro ao dote da mulher para construir uma grande fortuna, que lhe trouxe o prestígio de ser o homem mais rico daquela região, um vitorioso na visão do novo mundo que surgira depois da Queda da Bastilha.
O Pai Grandet era um homem sovina, extremamente materialista e individualista, não se preocupava com luxos e ostentações, portanto, a pequena cidade era seu porto seguro, já que não propiciava tais gastos.
Tendo uma filha única, Eugenia, o Pai Grandet tinha grandes planos para a herdeira, que era disputada por dois representantes de famílias tradicionais do local, a família Cruchot e a família Des Grassins, que lutavam ávidamente pela mão da jovem Grandet.
Mas o Tio Grandet tinha um irmão que não seguia sua cartilha de contenção de gastos, era o Senhor Grandet de Paris, que tinha um filho único chamado Carlos. Depois de gastar seus bens e encontrar-se em dívidas, o Grandet que não se adaptava aos princípios capitalistas do trabalho e da manutenção das fortunas através dele, mandou o filho passar um tempo com o irmão de Saumur. Eugenia já não pensava mais em nuenhum pretendente de Saumur, pois foi tomada por uma paixão intensa pelo primo da capital, tão fino nos tratos e tão sensível nas palavras.
Quando Carlos tem que ir embora para as Índias Orientais para tentar salvar o nome do pai que acabara de se suicidar devido a falência, Eugenia resolve entregar-lhe todas as economias que o pai lhe entragara por ocasião de seus aniversários passados. Para agradecer Eugenia, o primo a beija no corredor da casa, pouco antes de partir e vai embora com a promessa de espera por parte da prima, que fica em situação difícil quando o pai avarento descobre o destino que ela deu para suas economias.
Muito romântico o enredo até este ponto não é? Mas o Romantismo dá lugar a uma visão muito realista e irônica dos fatos, quando Carlos volta das Índias casado com uma mulher que não ama, penas por interesse no dote, e manda uma carta para a prima do interior pedindo de volta o anel que lhe havia dado anos antes, como símbolo do sentimento que nascera entre os dois durante sua estadia na casa do tio.
Eugenia continua fiel ao seu amor pelo primo e, depois da morte do pai, casa-se com um dos antigos pretedentes para conformar a sociedade local. O casamento de Eugenia é outro ponto que diverge dos princípios românticos, pois se trata de uma união por conveniência e a noiva exige que o futuro marido não mantenha esperanças de consumar a relação.
O romance "Eugenia Grandet" faz com que o leitor se depare com personagens que expressam o pensamento de uma época, como o Pai Grandet, que guarda em si os princípios do materialsmo e do capitalismo trazidos pela Revolução Francesa, é ganancioso,o irmão do velho tanoeiro, o Senhor Grandet de Paris, homem que representa a falência do antigo sistema finaceiro baseado na aristocracia e na nobreza como fontes de sobrevivência; seu destino é a morte, pois no novo mundo quem não se adapta é eliminado da "livre concorrência" proposta.
Eugenia concentra em si as características da mulher na soceidade burguesa: jovem submissa ao pai, entrega-se aos encantos de um homem que tem características semelhantes a de um cavalheiro romântico e depois de uma decepção, arranja um casamento falso para contentar a socieade local. Seu primo Carlos, ao contrário do pai, consegue se adaptar ao pensamento pós-revolucionário, pois consegue recuperar a fortuna da família utilizando-se de um pouco de trabalho e de um grande dote de uma mulher sem qualquer atrativo sentimental.
Outra figura interessante do livro é a serviçal Nanon, que acompanha a família por toda a sua vida e é extremamente submissa aos princípios avarentos do patrão Grandet.
Não é a toa que Balzac é conhecido por seu enorme talento em criar personagens marcantes.



terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dia de Finados

A morte é um tema interessante para a Literatura. Durante o auge do Romantismo, muitos poetas viviam na Terra esperando a morte que viria como fuga para a impotência sentida diante de um mundo tão cruel para pessoas sensíveis e sentimentalistas. Em tempos mais modernos, José Saramago humaniza a morte no romance "As intermitências da morte". É...todos ficam pasmos e não sabem o que fazer quando esta "indesejada das gentes" deixa de ceifar vidas. E depois, quando ela resolve avisar sua vinda através de uma temida carta? São situações que nos fazem refletir sobre o tema. Mas discutir sobre a morte é coisa que o ser humano faz desde que nasce. Seja de forma religiosa, social, física...a todos este assunto interessa, embora muitos não gostem nem de pronunciar esta palavra.
Manuel Bandeira escreveu um poema que descreve bem o feriado de 02 de novembro.
Poema de Finados
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.
Os que estão já na última morada passaram pela morte física, seus corpos estarão lá eternamente, mas quantos continuam andando por esta Terra e estão mais mortos do que eles? O poema apresenta um pessimismo que pede que as orações de voltem para os vivos, pois eles têm mais necessidade, já que a amargura da vida os tornaram mais mortos do que as pessoas amadas sepultadas no cemitério. A perda de pessoas queridas causa esta amargura, e tantas outras razões para nos amargurarmos podem ser citadas!
Emily Dickinson escreveu um poema que também é bem pertinente ao dia de finados.
Cemitério
Este pó foram damas, cavalheiros,
rapazes e meninos;
Foi riso, foi espírito e suspiro,
Vestidos, tranças finas.
Este lugar foram jardins que abelhas
E flores alegraram.
Findo o verão, findava o seu destino...
E como estes, passaram.
Todas as pessoas que repousam nesta terra tiveram suas estórias, algumas mais longas, outras mais curtas, todas viveram e sofreram seus dramas, seus probelmas. Todas riram alguma vez na vida, quem sabe amaram e deixaram amantes chorando ao partirem. Mas todos um dia partem, isso é inevitável, por mais doloroso que seja para a nossa humanidade aceitar ser privada da presença física daqueles que amamos. Resta a cada um apegar-se a formas de viver estas perdas de um maneira menos traumática, pois as pessoas passam, mas as lembranças permanecem.

domingo, 31 de outubro de 2010

Literatura de terror - gótica


Castelo do Conde Drácula, na Romênia
A literatura de terror, ou literatura gótica está em alta na mídia. Obras do cinema e da Literatura voltada para o público adolescente popularizaram figuras lendárias como o vampiro, o lobisomem, os mortos-vivos e figuras aterrorizantes. Sem entrar nos méritos qualitativos, não podemos esquecer de que este gênero já existe há muito tempo e produziu grandes clássicos em tempos distantes nos quais o cinema, a TV, as redes sociais da internet não existiam.
Tudo começou com Horace Walpole e o romance “O castelo de Otranto”, obra do ano de 1764. Nestes primeiros períodos, a Literatura gótica utilizava-se do físico para causar horror e provocar sentimentos intensos de medo no leitor. Os lugares aterrorizantes eram os castelos medievais, as florestas escuras com árvores altas, casas solitárias e abandonadas. Grande representante deste período, temos a inglesa Ann Radcliff. Em seus romances, figuras humanas são colocadas em lugares que propiciam a mente humana a vagar pelos caminhos do medo do desconhecido, de outros mundos, daqueles que já partiram desta vida. Surgiram também criaturas horripilantes, monstros sanguinários e de aparência extremamente assustadora. Um grande representante destas figuras é o “Frankenstein” , da inglesa Mary Shelley. Construído com pedaços de cadáveres humanos, o monstro tornou-se uma figura mítica e no mundo moderno ganhou muita popularidade através das inúmeras representações no cinema.
No ano de 1809, nascia em Boston, nos Estados Unidos, um escritor que mudaria para sempre os rumos da Literatura de terror. Seu nome é Edgar Allan Poe, que teve um morte misteriosa e uma vida cercada de tragédias, vícios e fracassos. Grande contribuidor para o desenvolvimento do conto como gênero literário, Poe colaborou para a criação da Literatura policial e modificou a forma de escrever sobre o mundo assustador.
Diferente dos seus antecessores, Poe não se utilizava de artimanhas físicas, como espaços e figuras sobrenaturais para causar medo e espanto. Ele criou inúmeras personagens psicologicamente aterrorizadas, figuras humanas aparentemente normais, em espaços normais; que guardavam em suas mentes obsessões e perversidades que as levavam a situações aterrorizantes, crimes, perdições, maldades. Para Poe, um gato preto acendia no coração de um homem tido como puro, os desejos mais cruéis, a consciência mais doentia. Um olho com catarata causava horror em um homem e levava-o a transformar-se num assassino frio e calculista, enquanto tenta convencer o leitor de que não é louco, pois um louco não teria agilidade suficiente para planejar e premeditar um crime perfeito. Os dentes brancos feito marfim da prima adoentada podem tornar-se objeto de desejo de um jovem, fazendo com que ele vá até as últimas consequências para tê-los para si.
Os poemas de Poe também merecem destaque. Em “O corvo” a ave agourenta bate a janela de um homem solitário a meia-noite e o recorda a amada perdida para a morte. Em “Annabel Lee”, os anjos sentem ciúmes do amor perfeito de dois jovens que tem suas almas unidas desde a infância; os ciúmes se devem ao fato das figuras angelicais não aceitarem uma amor tão puro, perfeito e intenso em dois seres humanos, pois este sentimento não é possível nem entre os mensageiros celestes.
Edgar Allan Poe foi um divisor de águas para a Literatura gótica.
Na Irlanda, especificamente no ano de 1897, um romancista chamado Bram Stoker, criou a lenda do vampiro, hoje tão difundida e modificada por escritores populares.
Bram Stoker baseia-se numa figura histórica, o Conde Vlad Dracul (dragão ou demônio),que nasceu no ano de 1431 na Transilvânia, (onde fica localizado o famoso castelo do Drácula). O Conde Vlad foi guerreiro e herói romeno da guerra contra os turcos, que ficou conhecido como “O Empalador” devido a crueldade usada para com seus prisioneiros de Guerra. O “Drácula” de Bram Stoker é o primeiro vampiro da Literatura, a figura inicial da lenda dos mortos-vivos que se alimentam de sangue e vivem eternamente. Depois dele vieram os belos e atraentes vampiros de Anne Rice, e mias recentemente, as figuras controversas dos romance de Stephanie Meyer. Os personagens da saga “crepúsculo” conquistaram o amor de milhares de adolescentes no mundo inteiro, mas ganharam também o ódio de muitos críticos que os consideram deturpados, indignos de sucederem o clássico de Bram Stoker, ou até mesmo os de Anne Rice.
Fica para o leitor a dica: conheçam os clássicos do gênero. É uma viagem excepcional ao mundo do terror, das grandes lendas, dos grandes personagens e lugares pelos quais nossa mente divaga nos mistérios do medo.

sábado, 16 de outubro de 2010

Amor à primeira vista - Falling in love


Quando dois dos maiores astros de Hollywood se encontram unem força a um enredo que foge aos estereótipos propostos pelo tema, temos um grande filme. Um grande exemplar desta mágica é o filme "Amor à primeira vista" (falling in love), do diretor Ulu Grosbard, com roteiro de Michael Cristofer.
O filme é do ano de 1984 e tem como protagonistas os dois grandes e brilhantes astros Robert De Niro e Meryl Streep, além de contar com Dianne Wiest, David Clennon e Jane Kaczmarek no elenco.
Frank Raftis é um engenheiro, casado e pai de dois meninos pequenos; Molly Gilmore uma decoradora autônoma, casado com um médico. Duas pessoas comuns que veem suas vidas aproximarem-se primeiro por acaso: na véspera de Natal, comprando os presentes para os esposos, acabam trocando os livros comprados na livraria repleta de clientes. Três meses mais tarde, encontram-se por acaso no trem, já que Frank deixou o carro na oficina para consertos e Molly tem que visitar o pai que está doente num hospital. Sem que esperassem, os dois começam a desejar que aqueles encontros se tornem frequentes e, quando percebem, já não se encontram por acaso e sim, por escolha. Só uma coisa perturba o recém-descoberto amor: os dois são casados e têm suas vidas ligadas as de outras pessoas.
É um genuíno dilema moderno que poderia ser contaminado pelos clichês que vemos todos os dias povoarem as novelas de TV que tratam deste tema. O enredo do filme, porém, não está contaminado com o maniqueísmo comum nas estórias da TV. Não há maridos carrascos nem esposas fúteis e extremamente ciumentas. O público não é levado a sentir raiva dos cônjuges, nem a torcer deliberadamente para que estes sejam abandonados sem piedade. São apenas pessoas normais, que levam uma vida pacata, cercada pela rotina da cidade grande. Óbviamente o público sentirá uma simpatia pelo casal que vive o romance proibido pela sociedade, mas esta simpatia não é horror as relações familiares particulares deles; esta simpatia vem do fato da relação não ser baseado apenas no contato físico, mas sim, no sentimento que surge sem ser programado, sem ser esperado. A resistência que Frank e Molly têm em se entregar ao amor à primeira vista, é a prova de que a possível traição iria ferir tanto a eles quanto aos respectivos companheiros.
Os conflitos psicológicos apresentados no enredo estão longe de propôr questões morais, esta não é a intenção do filme, pois a arte verdadeira não procura ser manual de bons costumes. O público, ao assistir "Amor à primeira vista" sente-se atraído pelo casal Frank e Molly, mas é provocado instintivamente a reflexões sobre as consequências daquele relacionamento na vida das duas famílias. Esta reflexão, porém, surge naturalmente, não é proposta pelo filme como uma obrigatoriedade para a preservação de nenhum conceito social ou moral.



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Erich Maria Remarque


Erich Maria Remarque nasceu no dia 22 de junho de 1898, na cidade alemã de Osnabrück. Ao nescer, recebeu o nome de Erich Maria Kramer. Realizou os estudos básicos na cidade natal e frequentou a Universidade de Münster. Aos dezoito anos, abandonou os estudos e juntou-se ao exército alemão na Primeira Guerra Mundial. Foi ferido três vezes nas trincheiras, uma delas gravemente. Após o conflito, teve que lutar para sobreviver em um país corroído pela guerra, exercendo várias funções, como a de pedreiro, por exemplo. Esta instabilidade profissional acabou quando conseguiu trabalhar como jornalista em alguns jornais de Hannove r e Berlim, nas funções de crítico teatral e repórter esportivo, entre outras.
Mesmo com uma vida estabilizada, não esqueceu o pesadelo da Guerra e suas noites de insônia eram preenchidas por infindáveis anotações em cadernos. Estas anotações traziam os horrores vividos no campo de batalhas. Daquelas folhas manuscritas, logo surgiu o núcleo de um livro, um romance sobre o absurdo da guerra. A editora Ullstein insistiu no lançamento da narrativa, mas o máximo que conseguiu foi sua publicação em folhetins no jornal Wossiche Zeitung, no ano de 1928.
O sucesso de "Nada de novo no front" (Im Western Nichts Neues) garantiu a edição do texto em formato de livro no ano seguinte. A obra tornou-se um êxito sem precedentes na literatura alemã modernae deixou o público e as autoridades alemãs perplexos. O romance logo foi alvo de críticas e polêmicas, ao mostrar a um público que ainda via a guerra como uma fatalidade histórica cercada de certo romantismo, a verdadeira face dos soldados que nela se envolveram.
Outras obras haviam sido publicadas sobre o primeiro grande conflito mundial, mas nenhuma parecera aos soldados tão realista e reveladora.
No ano de 1930, "Nada de novo no front" (também traduzido no cinema por "Sem novidades no front") foi levado à tela por Lewis Milestone. O filme alcançou êxito mundial e status de filme cult.
O filme e o livro causaram a ira dos nacionalistas alemães e, com o recrudescimento dos sentimentos nazistas a perseguição a Erich Maria Remarque se tornou ainda maior pelo pacifismo manifesto em suas obras. Em 1931, publicou também "O caminho de volta" que retratava as frustrações dos que regressavam dos campos de batalha. No ano de 1933, com a ascensão de Hitler ao poder, o filme baseado na sua obra-prima foi proibido na Alemanha. O escritor exilou-se primeiramente na Suíça e, a partir de 1939, nos Estados Unidos. No dia 10 de maio de 1933, seus livros foram quimados na fogueira na Praça da Ópera, em Berlim.
Em 1938, as autoridades alemãs retiraram sua cidadania alemã, por ter "arrastado na lama" os soldados da grande guerra e apresentado uma visão "antigermânica" dos acontecimentos da guerra.
O escritor só ficou sabendo das hostilidades que sua imagem sofria na Alemanha, quando estava seguro, no exílio nos Estados Unidos. Sua irmã, Elfriede, porém, não teve a mesma dádiva. Ela ainda vivia no país natal e era uma simples costureira, mas acabou confidenciando a uma cliente que poderia muito bem dar um tiro na cabeça de Hitler. Foi denunciada, condenada e decapitada no ano de 1943.
Em 1947 Erich Maria Remarque naturalizou-se norte-americano. Nos seus anos em Hollywood, recheou as crônicas jornalísticas com seus casos amorosos com as atrizes Marlene Dietrich e Greta Garbo. Em 1948, partiu para a Suíça, na companhia da também atriz Paulette Godard, ex-mulher de Charles Chaplin.
Erich Maria Remarque, que é junto a Goethe o escritor alemão mais lido no mundo, faleceu em Locarno, na Suíça, aos 72 anos, no dia 25 de setembro de 1970. Não perdoou a Alemanha do pós-guerra pelo tratamento brando com as autoridades nazistas.
Sem dúvida, "Nada de novo no front" é seu romance mais popular e foi traduzido para 58 idiomas, vendendo mais de 10 milhões de cópias em todo mundo.
Deixou também outros romances sobre o absurdo da guerra:

"Três camaradas" - 1937.

"Náufragos" - 1941.

"Arco do triunfo" - 1946.

"O obelisco preto" - 1956.

E o romance póstumo "Sombras do paraíso" - 1971.

domingo, 10 de outubro de 2010

Personagens de Machado de Assis

Que Machado de Assis é hábil em criar personagens instigantes ninguém pode negar. O leitor certamente coloca alguns dos seus personagens entre os mais celébres da Literatura nacional e até mesmo mundial.
Pensando em casais célebres, Capitu e Bentinho sempre têm um lugar de destaque. Ora, Capitu é uma mulher única e especial na Literatura, parece até que ganha vida própria e provoca no leitor reações adversas. Desde cedo sabia bem o que queria: Bentinho. O próprio Bentinho, ao escrever suas memórias, diz que ela era o lado forte da relação, aquela que sempre confiou que para os dois ficarem juntos era só uma questão de tempo e de alguns ajustes. Sim, havia a promessa, mas promessas podem ser modificadas. Havia José Dias contra a pobre vizinha, mas ele poderia ser convencido a apoiá-los. Havia o ciúme e, bem, este na verdade, não pode ser controlado. Bentinho, por sua vez, é um burguês típico, com sua mãe viúva, inúmeros escravos e agregados para mimá-lo, uma paixão e muito medo de lutar por ela. Capitu acaba "roubando" do marido o papel de protagonista do romance, e ela consegue isso numa sociedade patriarcalista, na qual a figura masculina era o centro de tudo. Os olhos de Capitu, a presença de Capitu, a forma como Capitu conquista os inimigos e os torna aliados...tudo isso torna a amada de Bentinho uma personagem marcante.
E o que dizer de Brás Cubas? O homem que, depois de morto, resolve contar a suas desventuras enquanto caminhava entre os vivos. A escolha da ocasião se deve a libertade que a morte garante, as palavras e fatos que poderiam ser narrados sem sofrer problemas com o julgo da sociedade que caminha neste mundo. Brás Cubas, como homem, é um produto do seu tempo; vive a burguesia e usufrui dela, tornando-se um homem com apenas um saldo positivo: não ter transmitido para ninguém, o legado da sua miséria.
Uma das figuras mais interessantes que povoam a obra de Machado de Assis é, sem dúvida, Quincas Borba. Mendigo, filósofo, louco, quem era Quincas Borba? Ele criou uma filosofia, aparecia de desaparecia da vida do amigo de infância Brás Cubas, deixou sua herança ao professor Rubião, (herança esta que incluía o cachorro que levava seu nome)...o professor Rubião é um dos poucos personagens de Machado de Assis que não vive de renda, mas, ao receber a fortuna de Quincas Borba, abandona tudo e vai para a Côrte, viver as alegrias da vida burguesa, alegrias estas que não poderia desfrutar na condição de trabalhador.
Sofia, a mulher cobiçada por Rubião, vive de acordo com os princípios da sociedade que Machado de Assis tanto critica. Ao notar o interesse do novo rico, Sofia e seu marido Cristiano visualizam uma bela forma de participar do desfrute daquele dinheiro vindo de forma tão inesperada. Sofia não se entrega para Rubião em nenhum momento, mas o mantêm preso na sua teia de sedução, até que não reste a ele mais nada, nem mesmo a sanidade. Quando o ex-professor está perdido nas ruas, transformando-se em motivo de riso para a mesma sociedade que antes o recebera de braços abertos, ele não serve mais para nada, deveria ser descartado, e assim aconteceu.
Temos também os gêmeos Pedro e Paulo, que brigavam ainda no ventre da sua mãe (assim como os personagens bíblicos Esaú e Jacó, que dão título ao romance), sendo opostos em tudo, menos no amor pela jovem Flora. Clichê? Não na obra de Machado de Assis, que construiu os personagens sem estereótipos de vilania ou heroísmo, sem a oposição do bem e do mal.
E o comandante Aires? Seria ele o próprio Machado de Assis transpondo-se para as páginas de um livro? Muitos afirmam que sim, pois o "Bruxo dos Cosme Velho", assim como Aires, observava o mundo, a sociedade e apresentava suas impressões e fazia isso com maestria.
Mas não são apenas nos romances que Machado de Assis foi mestre em criar personagens. Ele, como exímio contista, criou personagens interessantes e marcantes, como Simão Bacamarte, o médico alienista que descobria a loucura numa cidade inteira, percebendo depois que a loucura era toda sua.
Fortunato, personagem do conto "A causa secreta", procurava de todas as formas saciar seu desejo de ver e degustar o sofrimento alheio. As noites na cabeceira dos feridos e da prória esposa, a ajuda aos doentes, tudo era apenas um pretexto para saciar o seu sadismo, aliado ao masoquismo que o faz sentir um prazer imenso em ver o amigo beijando a sua esposa morta.
Temos também o Pestana, compositor de polcas populares que buscava a imortalidade dos grandes músicos clássicos. O pobre Pestana morreu vendo suas músicas serem cantadas por populares e esquecidas num breve espaço de tempo.
Na tradição de mulheres misteriosas de Machado de Assis, temos a Dona Conceição, de "Missa do galo". Estaria ela se insinuando para o jovem amigo da família ou era tudo produto da imaginação e da malícia daquele rapaz?
Voltando aos romances, temos a obra romântica de Machado de Assis, da qual saltam alguns personagens muito interessantes, que anunciavam a "era" realista que estava por vir na produção do escritor.
Félix, de "Ressurreição" é um deles. Com um coração sepultado há muito tempo, Félix acredita poder ressucitá-lo amando a viúva Lívia. Instável emocionalmente e preso ao ciúme (anunciava ou não um outro personagem de Machado de Assis que viria em "Dom Casmurro"?), Félix fracassa na tentativa de "Ressurreição" e acaba deixando-o sepultado mesmo.
Uma mulher muito interessante entre as "românticas" do escritor, é Helena, personaegem que dá título a um dos romances desta fase.
Mesmo sabendo-se não merecedora da forturna do suposto pai, o Conselheiro Vale, ela vai viver na casa do filho do Conselheiro e permite que todos acreditem nos seus laços sanguíneos com a Família Vale. Apaixonada pelo "irmão", Helena entrega-se à morte, já que se sente indigna do amor de Estácio por ter falhado com a verdade. Como muitas mulheres, Helena faz um julgamento feroz das suas atitudes e condena a si própria por elas.
Estes são apenas alguns dos personagens marcantes da obra do grande Machado de Assis. Pretender fazer uma análise monuciosa de todos os personagems criados com maestria por Machado de Assis seria uma audácia minha.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

29 de setembro de 2010 - 102 anos sem Machado de Assis


Há 102 anos morria o escritor brasileiro Joaquim Maria Machado de Assis. Debilitado, recluso (sobretudo depois da morte da esposa), o "Bruxo do Cosme Velho" veio a falecer na casa em que viveu tantos anos ao lado da amada Carolina.
102 anos se passaram, mas a sua obra o tornou imortal. Seus persongens estão entre os mais celébres da Literatura brasileira e mundial. O leitor, em nossos dias, ainda sente-se seduzido por Capitu, sente-se viajando no delírio de Brás Cubas, tenta entender a filosofia louca de Quincas Borba e a psicologia do médico alienista Simão Bacamarte. E tantos foram os personagens, tantas as críticas, tantas histórias...que fizeram de Machado de Assis um escritor praticamente unânime entre os amantes da Literatura de qualidade.
E o seu nome nunca será apagado, está gravado para sempre entre os maiores da Literatura mundial.





"Eu não sou homem que recuse elogios. Amo-os; eles fazem bem à alma e até ao corpo. As melhores digestões da minha vida são as dos jantares em que sou brindado."


Machado de Assis.