quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Missa do Galo - Machado de Assis


No conto de Machado de Assis, um homem relembra um episódio confuso e misterioso do seu passado.Contando dezassete anos, eloe ficou hospedado na noite de Natal na casa no escrivão Meneses, casado pela primeira vez com uma falecida prima do jovem hóspede.
Meneses contraiu segundas núpcias com Conceição, que contava trinta anos quando hospedou o jovem. Conceição era chamada de "Santa" e seu comportamento era mesmo de um ser superior, pois, suportava os esquecimentos e traições do marido resignadamente.
Naquela noite de Natal, Sr. Nogueira (era este o nome do protagonista) resolveu ir à missa do galo da Corte e como a família toda deitasse cedo (menos o escrivão Meneses que havia ido ao tetaro, um eufemismo para seus encontros com sua recente amante), resolveu ler um pouco, o romance escolhido foi "Os Três Mosqueteiros" de Alexandre Dumas.
Conceição surge na sala onde Nogueira esperava, de chinelos e roupão branco...ela sentou-se ao lado do jovem e começaram a conversar sobre romance e outros temas...durante esta conversa, Machado de Assis utiliza toda a sutileza possível para descrever os sentimentos do jovem de dezessete anos que não conseguia decifrar ao certo se as atitudes da senhora respeitável para com ele eram de sedução ou pura imaginação sua.
Cada olhar, cada gesto, cada mudança de posição fazia com que o coração do jovem adolescente ficasse dividido, pensando se era ou não um jogo de sedução proposto por Conceição. Durante a missa, a imagem da bela senhora esteve em vários momentos entre Nogueira e o Padre e na manhã seguinte, os gestos de Conceição eram os mais naturais possíveis, não lembrando em nada, a mulher misteriosa da noite de Natal.
Um acontecimento como este marcou a vida daquele jovem, mesmo que não houvesse acontecido nada de concreto...nenhum beijo, nenhum toque. A espera do rapaz para assistir a Missa do Galo, divide o conto entre o profano e o sagrado...a espera do sagrado, o jovem conhece pela primeira vez os sentimentos profanos, esta é uma característica realista da obra. Machado de Assis utiliza a sensualidade de forma sutil, subjetiva. Ele foi um severo crítico da forma como o português Eça de Queirós utilizava a sensualidade de forma clara e objetiva nos seus romances.
Com certeza, este conto é mais uma obra-prima da obra do mestre Machado de Assis.




Um comentário:

  1. Gostei muito da análise literária, muito ajudou-me.
    Pretendo fazer estudos na área literária e de cara já apaixonei-me pelo blog de vocês meninas!

    ResponderExcluir