sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ao coração que sofre - Olavo Bilac

Ao coração que sofre

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.


O Movimento literário conhecido como Parnasianismo, cultivava a "arte pela arte", a forma perfeita, temas clássicos e amorosos...a perfeição outrora reverenciada pelos gregos nas suas belas esculturas, ganhou vida novamente através dos poemas Parnasianos. Como se preocupava muito com a beleza, é natural que o poeta parnasiano não se preocupasse em cultivar o amor espiritual que os românticos tanto vivificaram...inúmeros poemas eróticos, enaltecendo as formas perfeitas da amada, compõe parte da produção Parnasiana.
O "Príncipe dos Poetas" brasileiros, Olavo Bilac, foi sem dúvida, o mais popular entre os Parnasianos. Naturalmente, pois, sua obra é permeada de temas sentimentais, que sempre se tornam mais populares entre os leitores, já que o amor é um tema recorrente e universal.
No soneto "Ao coração que sofre", Bilac, já na primeira estrofe, anuncia que seu amor não é apenas inocente e espiritual, já que sofre por ter o coração separado da amada e afirma que não basta o simples e sagrado.
Não basta apenas saber-se amado, é preciso sentir-se amado, tocar o corpo da mulher amada, ver este amor acontecer.
O amante ainda afirma que tais desejos não o envergonham, pelo contrário, ele sente que a verdadeira baixeza é trocar a Terra pelo Céu, conceito oposto ao dos românticos (principalmente da geração do mal do século), que acreditavam que o verdadeiro sentimento não precisa consumar-se aqui na Terra, mas sim, na pureza dos céus...para os românticos a mulher era um anjo, para os parnasianos era uma fonte de desejos.
A última estrofe deixa claro a posição antropocentrista Parnasiana, já que o poeta afirma que o coração do homem é elevado permanecendo do homem, obedecendo assim, seus instintos naturais humanos. Há pureza no amor carnal também, segundo Bilac, e o homem deve humanamente amar e não tentar ser anjo ou Deus.

3 comentários:

  1. Este soneto deve ter sido inspirado pela sua musa e amada Amélia(dizem que a familia dela interditou o romance).

    ResponderExcluir
  2. oi como faco para contar as silabas metricas deste poema
    Ao coração que sofre, separado
    Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
    Não basta o afeto simples e sagrado
    Com que das desventuras me protejo

    ResponderExcluir
  3. Ao/co-/ra-/çao/ que/ so-/fre, /se-/pa-/ra(do)
    Do/ teu,/ no-e/xí-/lio-em/ que-a/ cho/rar/ me/ ve(jo)
    Não/ bas-/ta-o-a/fe-/to/sim-/ples/e/sa-/gra(do)
    Com/ que/ das/ des-/ven-/tu-/ras/ me/ pro-/te(jo)

    Você sempre conta até a última sílaba tônica pela regra de escansão(contagem de sílabas poeticas) do português: nesse caso, todos os versos tem 10 sílabas poeticas

    ResponderExcluir