sábado, 20 de março de 2010

A Literatura que representa um país.


A Literatura de um país segue, diversas vezes, o desenvolvimento político dele. Claro, se pensarmos de forma cronológica, as obras escritas no Brasil pertencentes ao Barroco e Arcadismo representam um Brasil que "queria ser Europa", já que, como colônia, o país era obrigado a perder sua identidade, ganhando costumes europeus que substituiam a vida selvagem dos primeiros habitantes, os índios.
No Arcadismo alguns poetas procuravam escrever sobre a natureza, mas esta era muito idealizada e quando lemos diversos poemas de Cláudio Manuel da Costa temos a impressão de que as paisagens lá descritas, são da Europa. Com Tomás Antônio Gonzaga, temos a literatura satírica dando passos imporantes através de uma crítica velada.
No Romantismo nós vemos uma tentativa de nacionalização da Literatura. Embora no Modernismo, estas "tentativam" tenham servido de paródia por causa da idealização da natureza e do índio (europeizado) não podemos negar que este período demonstrava um Brasil que havia deixado de ser colônia e queria conquistar seus próprios méritos literários.
Na já fase de transição do Romantismo para o Realismo, surge Castro Alves com seus poemas abolicionistas, que representavam a insatisfação de muitos brasileiros com o sistema monárquico e escravocrata.
Com o Realismo temos a visão de que a Burguesia, antigo sonho de igualdade para os revolucionários, não era perfeita como as descrições anteriores mostravam. Surge entre outros, o grande mestre Machado de Assis com seus triângulos amorosos e seus romances inovadores. Quem antes dele na Literatura Brasileira colocaria um Defunto como narrador de um romance? Machado de Assis também falou sobre a escravidão em um conto chamado "Pai contra Mãe", além de outros temas que diziam na pena o que o autor não dizia com palavras saídas de sua boca.
O Naturalismo trazia ao Brasil os novos pensamentos e estudos sobre o homem. Vieram à tona os cortiços, casas de pensão e outros locais onde proliferavam situações que os autores poderiam usar em seus romances para aproximar os homens dos seus instintos animais e para mostrar que ninguém foge a hereditariedade e ao meio em que vive.
Embora fossem movimentos que nunca ganharam a "identidade" brasileira, Parnasianismo e Simbolismo tiveram grandes representantes em nosso país, dois príncipes...o "Príncipe da Poesia" Olavo Bilac e o "Príncipe Negro" Cruz e Sousa.
O Modernismo chegou querendo chocar...para isso, usou a Semana da Arte Moderna em 1922. Eram poemas sem preocupação com a forma, a linguagem mais próxima ao falar popular, críticas veementes aos Parnasianos e depois vieram as paródias. Mario de Andrade parodiou o índio romântico em "Macunaíma".
Na década de 30, a Literatura Brasileira ganhou ares regionais. O Nordeste castigado pela seca no Sertão e o Rio Grande do Sul com seus costumes e suas crônicas urbanas ganharam espaço.
Nas décadas seguintes surgiram escritores como Guimarães Rosa, um mestre da palavra que escreveu um romance universal que pode ser lido no sertão nordestino ou em qualquer país do mundo... a obra prima "Grande Sertão: Veredas" .
Nos dias atuais, a Literatura condensa caracteríscas próprias e também do passado. A prova de que não há cronologia que segure nossos autores é o fato de que hoje em dia ainda há escritores que bebem nas fontes barrocas, arcaicas, românticas, realistas...entre outras.
A Literatura de um país é uma grande riqueza que deveria ser mais explorada por seu povo. Os brasileiros devem se orgulhar da produção literária que durante séculos, fecunda a cultura brasileira.

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