sexta-feira, 7 de maio de 2010

Naturalismo


O cientificismo que tomou conta do pensamento do homem do século XIX influenciou a Literatura daquele período, mas precisamente, com duas escolas que tiveram o apogeu naquele século: O Realismo e o Naturalismo.
Charles Darwin se opunha a doutrina criacionista da Igreja com o livro "A Origem das espécies" e a Literatura ganhava ares mais críticos quanto a sociedade e as instituições que alicerçavam a Burguesia.
O Naturalismo surgiu neste contexto, influenciado pela teoria do Determinismo, que diz que a totalidade dos fenômenos constitutivos da realidade se encontra submetida a determinadas leis, estas sendo compreendidas como possuindo caráter natural. Tais leis, ainda, são consideradas como sendo regidas por uma relação de causalidade. Deste modo, a realidade se estrutura a partir de leis que regem e estão presentes em todos os acontecimentos.
Desta forma, o agir humano é produto de determinações biológicas e do meio no qual o ser humano está inserido. Tal teoria vai contra a ideia cristã do livre-arbrítrio. Para os deterministas o homem não é livre o suficiente para escolher e moldar a própria personalidade. A hereditariedade e o meio social seriam dominantes para o homem, o que muitas vezes o leva a aproximar-se dos seus instintos animais, numa análise científica bem ao gosto dos Naturalistas.
Os romances Naturalistas têm a preferência por temas como a miséria, problemas sociais e sexuais...na França, em 1870, a publicação da obra “Germinal” de Émile Zola dá início cronológico ao estilo Naturalista . O livro fala das péssimas condições de vida dos trabalhadores das minas de carvão na França do século XIX.
No Brasil, Inglês de Sousa abriu caminho com os romances "O Cacaulista" (1876); "História de um Pescador" (1876) e "O Coronel Sangrado" (1877) e "O Missionário" (1891), mas foi com Aluísio Azevedo e a publicação de "O Mulato" em 1881 que o Movimento ganhou força em terras brasileiras. Além do romance "O Mulato" , os romances que o consagraram perante a crítica e o público culto foram: "Casa de Pensão" (1884), inspirado num caso da crônica policial do Rio, que descreve a vida nas pensões chamadas familiares, onde se hospedavam jovens que vinham do interior para estudar na capital; e "O Cortiço" (1890), romance mais popular do gênero no Brasil. As habitações coletivas e a situação de miséria na qual viviam imigrantes pobres, escravos livres ou não e os demais trabalhadores dão o tom para um enredo tipicamente Naturalista em "O Cortiço".
Outro escritor Naturalista brasileiro é Júlio Ribeiro. Seu romance mais conhecido é "A Carne" escrito em 1888 e trata de temas polêmicos como o divórcio, o amor livre, a perda da virgindade. O livro não ganhou o prestígio da crítica como os romances de Aluísio Azevedo, mas fez um grande sucesso com o público leitor, já que possui descrições sexuais nada comuns para a época.
Adolfo Caminha, escritor cearense, publicou em 1893 "A Normalista", talhado nos moldes Naturalistas. O romance também não fez eco entre os críticos e "O Bom-Crioulo", de 1985 é considerado seu melhor livro; com um enredo ousado que tem como tema o homossexualismo na marinha. Já "Tentação" publicado em 1896, é considerado o mais fraco entre seus romances, demonstrando um certo declínio do Estilo Naturalista.
Estes são apenas alguns exemplos de escritores brasileiros que fizeram parte da Escola Naturalista em nosso país.




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