sábado, 5 de junho de 2010

Ressurreição - Machado de Assis


"Ressurreição" é o primeiro romance do mestre Machado de Assis. Publicado no ano de 1972, está incluído entre a obra romântica do autor.
Sendo a primeira experiência de Machado de Assis com o gênero que o consagraria anos depois na fase Realista, o livro é, segundo o crítico Afrânio Coutinho, o livro é "o mais moderno dos seus romances iniciais. Nele encontram-se alguns dos traços definitivos de sua fisionomia: a penetração psicológica, a preocupação da análise, o monólogo interior, o desenvolvimento alinear da intriga, a narrativa complexa".
Em “Ressurreição” encontramos já definidas algumas características definitivas do autor, como a intimidade com o leitor, o pessimismo e o enredo simples que condensa uma carga psicológica intensa.
Doutor Félix é um solteirão de 36 anos que tem um coração sepultado por não acreditar no amor. Ele sente uma grande possibilidade de ressurreição para seu coração quando se apaixona pela viúva Lívia, uma bela mulher que tem um filho.
Desconfiado e inseguro dos sentimentos de Lívia, Doutor Félix vive atribulações no seu romance, não conseguindo alcançar a plenitude na vida emocional.
O desfecho do romance, ao contrário de muitas obras românticas, não é feliz e nem resulta na morte, pelo menos não morte física.
Conhecendo que a ressurreição do seu coração não fora possível, Felix termina seu relacionamento com Lívia e volta viver a solidão antiga.
Dez anos depois, Lívia continuava a amar o Doutor Félix, embora não tivesse perspectiva de futuro para com o amado e vivesse apenas para o bem estar do filho. Doutor Félix, por sua vez, não guarda mais vestígios da paixão antiga, que só era alimentada pela presença da viúva.
Escrito num período no qual o Romantismo já havia se estabelecido plenamente e os romances de costume estavam em voga, “Ressurreição” anuncia uma trama psicologicamente desenvolvida como se fazia já na Europa. Embora não seja um romance com características suficientes para ser classificado como “Psicológico”, “Ressurreição” anunciava um futuro promissor para Machado de Assis, futuro este que se consolidou nos contos e romances realistas.
No prefácio das duas primeiras edições (1872 e 1905) escreve Machado de Assis: “Não quis fazer romance de costumes; tentei o esboço de uma situação e o contraste de dois caracteres; com esses simples elementos busquei o interesse do livro.” O que sintetiza a busca do autor por um novo caminho.

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