terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Paulo e Virgínia - Bernardin de Saint-Pierre


Usado para exemplificar o romance folhetinesco, ingênuo e com personagens idealizados, “Paulo e Virgínia” é uma obra que condensa todas as características românticas extremas e todos os ingredientes que despertaram horror aos Realistas. Escrito em 1787, pelo francês Bernardin de Saint-Pierre, “Paulo e Virgínia” apresenta o ideal do “Bom Selvagem”, já que os casal protagonista vive, junto com suas mães, numa ilha distante da civilização francesa, um lugar paradisíaco que permite a eles crescerem em contato com coisas puras e os livra do contato com as novas ideias capitalistas da Côrte.
Os dois crescem como irmãos, mas o sentimento de Paulo começa a se intensificar e é grande a sua tristeza quando Virgínia é lavada ao continente por uma tia que deseja educa-la como uma verdadeira dama da sociedade. Os campos da bela ilha não são os mesmos sem a presença viva e alegre de Virgínia para correr e fazer as tarefas do dia. Paulo sente-se cada vez mais sozinho, enquanto Virgínia também chora a falta do seu amor primeiro. Quando a Jovem resolve retornar a ilha, pois percebe que só lá poderia voltar a encontrar a felicidade que a cidade não lhe proporcionava, o navio que a transportava naufraga às costas da ilha e Paulo morre ao vê-la morrer afogada.
Um final digno de um clássico romântico: o sacrifício da vida pelo amor, a pureza resiste, o verdadeiro amor não precisa ser vivido nesta Terra, por mais bela que seja. Paulo é um apaixonado fiel, puro e compreensivo, precisa da presença da amada, mas quando isso não é possível, vive das lembranças dos momentos bons vividos a dois. Virgínia é uma jovem pura, fiel aos seus sentimentos e desinteressada da vida confortável que sua tia lhe propõe. Um casal vivendo um amor primeiro, numa ilha paradisíaca na qual não é preciso dinheiro ou posição social para ser feliz... tamanha idealização fez o romance ser citado por Gustav Flaubert na obra que iniciou o movimento realista na França: “Madame Bovary”. Emma Bovary tem sua personalidade construída pela leitura de folhetins românticos, entre eles, “Paulo e Virgínia”. Através destas leituras, ela busca satisfazer-se procurando o par ideal, procurando uma nova versão de “Paulo”.
Embora seja criticado e tenha recebido inúmeras críticas dos escritores posteriores a ele, Bernardin de Saint-Pierre escreveu este romance colocando nele os conceitos em voga na época, talvez por isso, “Paulo e Virgínia” tenha sido um sucesso no tempo de sua publicação, sendo traduzido para inúmeras línguas ( era a Revolução Francesa transformando a Literatura em mais uma forma de comércio) e estabelecendo-se entre os grandes clássicos da literatura francesa, independente do julgamento feito pela crítica quando explodiu Movimentos como o Realismo e o Modernismo que abdicaram da idealização para das início a uma Literatura comprometida com a denúncia a sociedade burguesa que havia ascendido ao poder com a Revolução Francesa.

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