domingo, 7 de fevereiro de 2010

Principais obras das irmãs Brontë

As três irmãs da família Brontë: Charlotte, Emily e Anne tiveram uma vida relativamente curta. Todas morreram na faixa dos 28, 30 e 39 anos, vitimadas pela tuberculose, doença fatal na época. O Pouco tempo de vida, porém, bastou para colocar seus nomes entre os maiores da Literatura Mundial.
Na Inglaterra Vitoriana não era fácil para uma mulher tornar-se escritora sem ser massacrada pela crítica apenas por ser mulher. Para que suas obras fossem julgadas sem o preconceito de sexo, as três resolveram lançar seus poemas e romances com pseudônimos masculinos (muitos afirmam que eram ambíguos).
vamos começar a análise pela hierarquia da idade, Charlotte Brontë tem uma obra mais extensa que a das irmãs e colocou em alguns deles traços biográficos. A sua tentativa de viver como professora no estrangeiro foi utilizada, por exemplo, na composição da sua obra prima "Jane Eyre". A personagem título do romance é uma jovem órfã e assim como nos romances de Charles Dickens, a pobre órfã sofreu muito durante a infância. Ao contrário de outras personagens famosas da literatura inglesa; como as personagens de Jane Austen, por exemplo; Jane Eyre tem que prover o seu sustento através do trabalho, primeiramente, como professora no internato no qual vivera e depois, como governanta (ou preceptora) na casa do Senhor Rochester, homem por quem viria a se apaixonar e a viver um amor proibido. Uma paixão revolucionária para um período puritano... no dia do casamento, a pobre Jane descobre que seu amado era casado há muitos anos e mantinha sua esposa louca presa num quarta da mesma casa na qual viviam enquanto patrão e empregada...na mesma casa na qual os compromissos de casamento foram feitos! Sr. Rochester propõe uma situação nada ética para a moral e os bons costumes daquela sociedade: ele quer que Jane seja sua mulher mesmo sabendo da presença da esposa legítima naquele casa.
Não aceitando tal situação, Jane foge e passa fome em lugares distantes, até encontrar parte de sua família e se estabelecer novamente como professora. Contrariando o puritanismo vitoriano, Jane vai novamente ao encontro do seu amor e, para dar um toque moralista ao enredo, Charlotte Brontë faz com que o casal fique junto apenas quando o Sr. Rochester fica viúvo.
Muitos comparam o personagem masculino de "Jane Eyre" com o Heathcliff, protagonista do romance "O Morro dos Ventos Uivantes" da irmã do meio, Emily Brontë. Basicamente, os dois são morenos, sofriam com um passado difícil e eram intensamente apaixonados, mas as semelhanças param por aqui. O comportamento rude do Sr. Rochester não é páreo para a rudeza de espírito característica de Heathcliff, o ciganinho que vagava pelas ruas de Liverpool como tantos outros e foi adotado por caridade pelo Sr. Earnshaw e serviu de ruína para a família do homem que o acolheu no "Morro dos Ventos Uivantes".
Heathcliff poderia aceitar para si o papel de vítima, de cordeiro em frente ao leão. Poderia aceitar o sofrimento como um bom mocinho romântico; mas ao contrário disso, ele criou dentro de si um ódio tão intenso quanto seu amor. Quando todos o desprezam e ele sente-se abandonado pela amada Catherine (a irmã adotiva), Heathcliff se transforma num personagem mítico, que causa impressões diferentes nos leitores. A maldade sempre esteve dentro dele e apenas manifestou-se perante as dificuldades as quais ele foi exposto? Qual seria a sua origem? Como diria a governata Ellen Dean, todos que cometeram maldades contra aquela criaturinha escura e desconhecida, acretitavam que ele não era vingativo, mais tarde veriam o quanto estavam enganados.
Talhado numa oficina rude, "O Morro dos Ventos Uivantes" possui características que o colocam num lugar único na literatura universal, não há comparações, não há escola literária definida...é um local frio e tempestuoso, tão tempestuoso quanto seus personagens: O malvado e invejoso Hindley, a caprichosa e temperamental Catherine, o apaixonado e intenso Heathcliff, e tantos outros que formam um enredo maravilhoso.
Muitos citam como obra mais importante da caçula Anne Brontë o romance "Agnes Gray" (no Brasil intitulado "A preceptora"). Nele temos uma semelhança com "Jane Eyre": a jovem Agnes, assim como Jane, vai buscar seu sustento trabalhando como preceptora. Eu, porém, destaco o romance "A Moradora de Wildfell Hall", romance que a sociedade classificou como impróprio para as leitoras, mal sabiam que ele fora escrito por um mulher. Este romance é um dos primeiros legados feministas da Literatura moderna, apresentando a personagem Helen como uma obstinada moça que dispensa vários pretendentes e se casa com um jovem boêmio, acreditando que através do seu amor, conseguirá restaurar-lhe a alma. Quando Helen descobre que naquele casamento só encontrará sofrimento e que seu marido não está disposto a mudar seu comportamento pervertido, ela resolve fugir para a propriedade "Wildfell Hall", acompanhada apenas de seu filho e de sua fiel criada. Aceitando as convenções sociais, ela não permite entregar-se a um novo amor enquanto seu marido estivesse vivo... assim como em "Jane Eyre" o amor proibido só se concretiza depois da morte do cônjuge problemático.
As três irmãs mais famosas da Literatura são mesmo, grandes escritoras, pois, criaram clássicos que perpetuam suas ideias e que conseguem ultrapassar qualquer barreira, como as mudanças da sociedade, por exemplo.

4 comentários:

  1. Venho lendo e relendo as irmãs Bronte desde os meus 11 anos, i os filmes e nunca me canso...parece que a cada releitura descubro algo de novo que me havia passado desapercebido...nunca encontrei escritores (os e as) com tal grau de intensidade e realismo em seus livros e que não caem de moda...hj temos dramas reais, que mexem com a alma humana tão parecidos, que até parece que os livros acabaram de ser escritos para esta época...

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