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A primeira versão desta grandiosa obra foi escrita por Alessandro Manzoni entre 1821 e 1823 e tinha por título "Fermo e Lúcia", nome dos dois protagonistas. Mais tarde, Fermo se tornará Renzo e Manzoni recomeça a trabalhar a obra em 1824, terminando a segunda versão em 1827. Apenas em 1840, a versão revisada com a "verdadeira língua italiana", (segundo o escritor, era o dialeto falado em Florença), é publicada. O título original do romance é modificado, tornando-se então, "I Promessi Sposi", ou "Os Noivos" na tradução brasileira.
O Romance é considerado um legítimo representante do Romantismo histórico italiano. Na Lombardia, entre 1628 e 1632, dois amantes vivem muito sofrimento e dolorosas aventuras de todas as espécies para tentar se casar. Renzo e Lúcia, camponeses analfabetos, moram numa pequena vila e pretendem unir-se, mas são impedidos por um fidalgo devasso que nutre uma paixão pela noiva. A "epopeia do humildes" tem início quando o vigário local ne nega a realizar a cerimônia por medo de Dom Rodrigo, o homem mais poderoso da região, que tem poder inclusive, sobre a vida e a morte daqueles com quem se envolve.
Entre as dolorosas aventuras a que Lúcia é exposta, estão sua permanência num convento na cidade de Monza, que tem na Madre superior uma figura emblemática e de caráter duvidoso, estando unida aos mais crueis inimigos do casal. A pobre camponesa também é obrigada a passar um tempo presa no castelo do Innominato (aquele que não se deve nomear), um assassino cruel que se converte depois de conhecer a jovem prisioneira. A figura do Innominato é real e no romance, Alessandro Manzoni une ficção à realidade.
Já Renzo, vive o drama de sair da sua terra e percorrer outros caminhos, que desencadearão crises dos valores passados e a perda da identidade e das raízes. Ele faz promessas libertárias ao ver o sofrimento da população esquecida pela nobreza e vive uma revolução interna que transforma sua luta em algo bem mais intenso do que a simples procura pela amada.
Quando tudo parecia perdido, vem a peste (que confirma o caráter histórico do romance) e elimina o inimigo fidalgo, fazendo com que seja possível a união tão desejada por Renzo e Lúcia.
Apesar da trama tipicamente romântica, o romance não é uma representação literária do amor. Ao contrário, Manzoni concentra-se nos episódios sociais, de natureza historiográfica, analisando-os e dissertando sobre eles.
Embora tenham pouca instrução, os protagonistas tentam decifrar a história, Lúcia através da sua fé cega na Providência e Renzo tirando ensinamentos das suas desventuras.
Estão presentes também no romance, características históricas como a forte influência da Igreja sobre a população europeia e o domínio exercido pela nobreza sobre a plebe.
Alessandro Manzoni agiu como um típico romântico ao escrever sua obra prima voltando-se para o passado para buscar inspiração, mas conseguiu distinguir "Os Noivos" dos romances de cavalaria ou de outras obras típicas da época que apresentavam o amor como figura principal do enredo.