domingo, 7 de novembro de 2010

Eugenia Grandet - Honoré de Balzac


Honoré de Balzac é muito popular pelo romance "A mulher de trinta anos", obra da qual surgiu o termo "balzaquiana" usado para designar as mulheres na faixa dos trinta anos. Porém, o próprio escritor entendia que este é seu romance mais fraco em termos de qualidade literária.
O "Escritor Fábrica" teve muitos méritos que não deixaram que um romance fraco lhe diminuísse o valor. Entre estes méritos, está o romance "Eugenia Grandet" .
O romance é datado de 1833 e apresenta a pequena cidade francesa de Saumur na qual os princípios da ascensão da burguesia eram vistos claramente na figura do Pai Grandet (ou Tio Grandet), velho tanoeiro abastado que, aproveitando-se da Revolução Francesa, uniu seus dinheiro ao dote da mulher para construir uma grande fortuna, que lhe trouxe o prestígio de ser o homem mais rico daquela região, um vitorioso na visão do novo mundo que surgira depois da Queda da Bastilha.
O Pai Grandet era um homem sovina, extremamente materialista e individualista, não se preocupava com luxos e ostentações, portanto, a pequena cidade era seu porto seguro, já que não propiciava tais gastos.
Tendo uma filha única, Eugenia, o Pai Grandet tinha grandes planos para a herdeira, que era disputada por dois representantes de famílias tradicionais do local, a família Cruchot e a família Des Grassins, que lutavam ávidamente pela mão da jovem Grandet.
Mas o Tio Grandet tinha um irmão que não seguia sua cartilha de contenção de gastos, era o Senhor Grandet de Paris, que tinha um filho único chamado Carlos. Depois de gastar seus bens e encontrar-se em dívidas, o Grandet que não se adaptava aos princípios capitalistas do trabalho e da manutenção das fortunas através dele, mandou o filho passar um tempo com o irmão de Saumur. Eugenia já não pensava mais em nuenhum pretendente de Saumur, pois foi tomada por uma paixão intensa pelo primo da capital, tão fino nos tratos e tão sensível nas palavras.
Quando Carlos tem que ir embora para as Índias Orientais para tentar salvar o nome do pai que acabara de se suicidar devido a falência, Eugenia resolve entregar-lhe todas as economias que o pai lhe entragara por ocasião de seus aniversários passados. Para agradecer Eugenia, o primo a beija no corredor da casa, pouco antes de partir e vai embora com a promessa de espera por parte da prima, que fica em situação difícil quando o pai avarento descobre o destino que ela deu para suas economias.
Muito romântico o enredo até este ponto não é? Mas o Romantismo dá lugar a uma visão muito realista e irônica dos fatos, quando Carlos volta das Índias casado com uma mulher que não ama, penas por interesse no dote, e manda uma carta para a prima do interior pedindo de volta o anel que lhe havia dado anos antes, como símbolo do sentimento que nascera entre os dois durante sua estadia na casa do tio.
Eugenia continua fiel ao seu amor pelo primo e, depois da morte do pai, casa-se com um dos antigos pretedentes para conformar a sociedade local. O casamento de Eugenia é outro ponto que diverge dos princípios românticos, pois se trata de uma união por conveniência e a noiva exige que o futuro marido não mantenha esperanças de consumar a relação.
O romance "Eugenia Grandet" faz com que o leitor se depare com personagens que expressam o pensamento de uma época, como o Pai Grandet, que guarda em si os princípios do materialsmo e do capitalismo trazidos pela Revolução Francesa, é ganancioso,o irmão do velho tanoeiro, o Senhor Grandet de Paris, homem que representa a falência do antigo sistema finaceiro baseado na aristocracia e na nobreza como fontes de sobrevivência; seu destino é a morte, pois no novo mundo quem não se adapta é eliminado da "livre concorrência" proposta.
Eugenia concentra em si as características da mulher na soceidade burguesa: jovem submissa ao pai, entrega-se aos encantos de um homem que tem características semelhantes a de um cavalheiro romântico e depois de uma decepção, arranja um casamento falso para contentar a socieade local. Seu primo Carlos, ao contrário do pai, consegue se adaptar ao pensamento pós-revolucionário, pois consegue recuperar a fortuna da família utilizando-se de um pouco de trabalho e de um grande dote de uma mulher sem qualquer atrativo sentimental.
Outra figura interessante do livro é a serviçal Nanon, que acompanha a família por toda a sua vida e é extremamente submissa aos princípios avarentos do patrão Grandet.
Não é a toa que Balzac é conhecido por seu enorme talento em criar personagens marcantes.



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