quarta-feira, 8 de julho de 2009

Perfil dos personagens do romance "O Morro dos Ventos Uivantes" de Emily Brontë



  • Catherine Earnshaw, Catherine Linton, Catherine Heathcliff.

A personagem criada por Emily Bronte em sua única obra, “O Morro dos Ventos Uivantes”, nos é apresentada logo no início do romance pelo narrador personagem, Sr. Lockwood, quando numa visita ao locatário(Heathcliff) da fazenda a qual passaria algum tempo, se viu foi forçado a passa a noite no Morro dos Ventos Uivantes devido a intempestividade daquela região. Contra a vontade de Heathcliff, Lockwood é levado para um quarto onde passaria a noite. No quarto ele encontra alguns livros que também serviram como diário para Catherine, e neles ele encontrou escrito os seguintes nomes: Catherine Earnshaw, Catherine Linton, Catherine Heathcliff. A partir desde ponto já podemos começar a conhecer as diferentes facetas da mesma personagem. E podemos analisar cada uma de suas facetas de acordo com cada nome. Começaremos com Catherine Earnshaw, que é o nome de família de Catherine. O nome que continha toda a tradição de sua família, e ela teria que zelar para que não fosse manchado por nenhum escândalo ou atitude equivocada que ela pudesse tomar e que a sociedade da época não viria com bons olhos. É ela que cresce junto com Heathcliff e que presenciava todo o sofrimento dele diante das maldades de seu irmão Hindley. Até o momento em que o Sr. Earnshaw volta de Liverpool com o pequeno Heathcliff, Cathy é descrita como uma pessoa normal. A partir do momento em que os olhares de Catherine e Heathcliff se cruzam ela se encanta com o menino, não se importando com sua aparência suja e escurecida. “Sra. Cathy e ele estavam agora muito íntimos. Mas Hindley odiava-o”.(Bronte 1971, p.41) neste trecho do romance vemos Nelly Dean explicando a convivência dos “irmãos” ao Senhor Lockwood. Os dois crescem estabelecendo uma relação que começa como fraternal, mas que depois com o passar dos anos seus sentimentos afloram e um ciúme doentio acaba surgindo também. Já Catherine Linton é o lado fraco e mesquinho da personagem. Fraca pois não teve coragem de enfrentar tudo e todos para viver o seu amor, o que a torna uma anti-heroína pois qualquer mocinha romântica abriria mão de tudo para viver ao lado de seu amor, não se importando com o que a sociedade pensaria ou deixaria de pensar. E também podemos perceber o quanto ela era mesquinha, preferindo Edgard Linton à Heathcliff, pois Edgard poderia lhe proporcionar uma vida estável, segura. Ficando com Linton tudo seria mais fácil, mais cômodo, ela não precisaria enfrentar barreiras para ficar com ele. Na conversa que ela tem com a empregada da casa, Nely, antes do desaparecimento de Heathcliff que anos mais tarde voltaria rico, Catherine confessa a ela que gostaria que Heathcliff tivesse sido criado pelo irmão dignamente e mão como um empregado qualquer, assim ela poderia ter se casado com ele sem ferir a sua imagem perante a sociedade, e ter toda a comodidade que ela desejava. A maternidade é pouco valorizada por Catherine, ela não demonstra amor ou preocupação com o bebê. Essa atitude é notada claramente no momento em que Catherine e Heathcliff têm sua última conversa pouco antes da morte de Cathy. Em momento algum Catherine se preocupa com a falta que pode fazer para a filha. Neste momento a Catherine Heathcliff, que veremos a seguir, se impõe e a possessividade da relação de amor e ódio que os consome se torna mais visível e nada pode interpor-se entre os dois. Essa relação mãe e filha pode não ter sido abordada com grande ênfase pela autora devido ao fato dela nem ninguém de seu convívio social ter vivido esse tipo de experiência. Dados biográficos indicam que Emily perdeu sua mãe muito cedo e que ela nem suas irmãs tiveram filhos. Catherine Heathcliff. A Cathy que não se tornou realidade. É nesta faceta que ela se mostra egoísta, podemos perceber isso quando a beira da morte ela tem sua última conversa com Heathcliff, e assim como um criminoso não se arrepende por ter ceifado a vida da sua vítima, mas sim por ter atrapalhado sua vida. Mesmo quando pede perdão à Heathcliff ela não se arrepende por ter feito-o sofrer, mas sim por ela ter sofrido o tanto que ela sofreu. Catherine e Heathcliff eram como corpo e alma que se completavam, Heathcliff era a personificação da maldade existente dentro de Cathy.Mesmo depois da morte de Catherine quem pensa que ela some por completo da trama de Emily Bronte, está completamente enganado. Depois de sua morte ela é figura ainda mais presente na vida de Heathcliff, pois passa a atormentá-lo como um fantasma que clama por seu amor, e ele sem poder nada fazer, somente passando os seus dias, cego com seus planos de vingança.“Vem! Vem! – soluçava ele. – Vem, Catherine! Oh! vem - mais uma vez somente! Oh! querida do meu coração, escuta-me afinal, desta vez, Catherine!”(agonia de Heathcliff chamando pelo fantasma de Cathy na noite em que Lockwood acreditou tê-lo visto, Bronte 1971, p. 33)Por mais estranho que possa parecer para alguns dos leitores deste grande romance da literatura inglesa, e que alguns o consideram grosseiro e de mau gosto, ao contrário está é uma grande história de amor, um amor que não teve a oportunidade de amadurecer, de se tornar real, devido aos caprichos, ao egoísmo, a franqueza de sua protagonista, Catherine. E que a morte vem eternizar esse amor e ao que nos parece e que cabe a cada um de nós imaginarmos se mesmo depois da morte de Heathcliff e Catherine, se eles conseguiram viver se grande amor.


“Que há, meu homenzinho? – perguntei.- Heathcliff e uma mulher estão lá embaixo, sob a ponta do rochedo – respondeu ele, soluçando -, e eu não tenho coragem de passar na frente deles.” ( Nelly Dean conversa com um menino que acredita ter visto os fantasmas de Heathcliff e Catherine pelo Morro dos Ventos Uivantes. Bronte 1971, p. 312).




  • Heathcliff: herói ou vilão da própria história?

Emily Brönte conseguiu no romance “O Morro dos Ventos Uivantes”, uma façanha digna apenas de grandes mestres da literatura mundial. Através de uma história de amor comum, envolvendo um triângulo amoroso, Emily Brönte criou um enredo extremamente original, com personagens e situações que falam por si próprios. Um exemplo disto é o protagonista Heathcliff. Ao colocar em Heathcliff as condições de órfão, abandonado nas ruas, acolhido por um bom homem, Emily faz com que os leitores acreditem que ele será um personagem bom, que aceita o sofrimento e a humilhação impostos e vence tudo com heroísmo. No desenrolar da infância de Heathcliff, percebe-se que sua personalidade distância-se de um herói romântico e sofredor. Ainda criança, o protagonista expressa desejos de vingança e sentimentos que não são muito nobres. Começa então o dualismo do personagem. Emily Brönte não oferece aos leitores um passado para o jovem. Não se conhece nada da sua história, antes de ser recolhido pelo Sr. Earnshaw, não se sabe se seus pais eram bons, se ele sofria maus tratos, se possuía já algum trauma familiar... portanto, ficamos imunes a qualquer sentimento de compaixão por Heathcliff, mesmo quando vemos a maldade de Hindley para com ele. Mas, em várias ocasiões, Heathcliff chega a causar pena e faz os leitores odiarem aqueles que o oprimem. Mesmo em momentos nos quais exprime seu ódio e rancor, Heathcliff deixa confusos os que já o consideravam um puro vilão. No diálogo entre ele e Cathy, pouco antes da sua morte, encontramos um Heathcliff magoado, que expressa seu obsessivo amor pela irmã de criação de uma forma selvagem, mas totalmente sincera. Ele diz que amaria o seu assassino, mas, como poderia suportar ver Cathy daquela maneira? “Eu não posso viver sem a minha vida, eu não posso viver sem a minha alma”. Estas palavras deixam claro a extrema agonia e a situação na qual Heathcliff viveria dali em diante. Ele viveria uma morte em vida, seu corpo estaria na terra, mas, sua alma, seu coração, tudo o que restava da sua humanidade, foi enterrado com Cathy. O que prende Heathcliff a este mundo, é o desejo de vingança, de tomar tudo o que pertence a Edgar Linton, o marido de Cathy. O rancoroso Heathcliff vive implorando que Cathy permaneça com ele, noite após noite espera seu fantasma, mas nem isto lhe é concedido. Heathcliff se torna então, cada vez mais só e caminha rumo ao seu fim trágico do qual ele não desviou nem um segundo, desde que entrou na propriedade dos Earnshaw, com sua aparência escura e suja. Heathcliff se torna, desta forma, um personagem capaz de causar os sentimentos mais diversos nos leitores do romance. Ele pode ser visto como o causador de muito sofrimento, que não sente piedade nem mesmo do próprio filho e que joga sujo numa vingança desenfreada. Pode também ser visto como uma vítima, com a cabeça cheia de traumas... as humilhações do irmão adotivo Hindley, o abandono de Cathy, que desistiu dele por causa da situação na qual ele estava, excluído da sociedade e carregando no rosto as marcas do preconceito, já que era um cigano. Os leitores de “O morro dos ventos uivantes” correm o risco de se confundir com Heathcliff e nele colocar suas próprias convicções, seus traumas e indignações perante a sociedade. O processo de catarse expresso pela figura do protagonista é um dos mais perfeitos de toda literatura mundial. Acima de tudo, Heathcliff caminha sob dois extremos: em certos momentos, ele é uma figura que não apresenta nenhum sentimento que o possa tornar humano, fora o seu obsessivo amor por Cathy e a sua discreta afeição pela criada Nelly e pelo jovem Hareton, que ele próprio arruinou. Em outros momentos, ele é um jovem afligido por angústias e que tem de se tornar “duro como um tronco de árvore” para sobreviver a uma sociedade que o excluí e tira dele a única pessoa que ele amava a jovem Catherine. Cabe então, aos apreciadores da Literatura Inglesa agradecer, pois, coube a uma jovem camponesa, de saúde frágil e personalidade discreta, deixar ao mundo a história de um amor cheio de força e obsessão, que venceu todas as barreiras, que a sociedade negou e que só a morte tornou possível.

6 comentários:

  1. esse livro apesar de ser muito triste, trata de uma história de amor muito pertubada. Adorei o Heathcliff todas as suas loucuras são 'justificadas' pelo amor que ele sentia pela Cathy... muito bom o livro

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  2. Uma historia muito bonita, sofrida, mas que no fim deu certo... é minha historia favorita nao vejo heathcliff como vilão e sim como o unico que conseguiu ser ele mesmo, enquanto a sociedade mudava com o tempo, enquanto tudo de modificava e o amor era visto como um consorcio, ele fez-se honrar e defender o que amava, e ele fez tudo o que fez por amor a Cathy, mas ela era egoista e nao acreditava nisso, e só se deu conta que tentara matar um amor quando estava a beira da morte, que teve alucinaçoes e começou chamar seu nome, mas ja era tarde demais...

    TATIANE BIANCHI CORREA
    EMAIL: TATI@LIVE.DK

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  3. O livro é muito bom, e tenho.

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  4. Não gostei do livro só estou lendo por causa do trabalho de escola

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    1. Isso é quase que uma heresia...

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    2. Neste caso, eu lhe digo.
      O quão sem ética você é!

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