segunda-feira, 1 de junho de 2009

De olho nas penas - Ana Maria Machado

O pequeno Miguel, depois de ter vivido em vários países, acompanhando sua família militante de esquerda na fuga do regime militar e na busca de asilo político, encontra-se agora vivendo no Brasil, em função da Anistia (1979). Miguel está razoavelmente adaptado à nova situação, mas vive uma certa crise de identidade: em parte, por situação ambígua de filho que “tem dois pais”, uma vez que sua mãe se separou de seu pai biológico e casou novamente; em parte, por não saber bem qual sua nacionalidade, já que viveu em tantos países – Chile, Moçambique, Panamé, Bélgica, França e Portugal. Numa ocasião em que vai dormir na casa de sua avó por parte de “pai biológico”, Miguel vive, durante a noite de tempestade, uma curiosa e fantástica experiência, ocorrida entre os nebulosos limites do sonho e da realidade: é transportado para três lugares, onde, sempre na companhia de uma estranha personagem, que tem a capacidade de assumir as mais diferentes formas, humanas ou animais, o protagonista vai tomando contato com aspectos da história e da cultura de três realidades distintas, mas aproximadas por seu contexto histórico – a dos nativos da “América espanhola”, a dos nativos da “América portuguesa”, a dos negros africanos.Na classificação de Zilberman, O livro De olho nas penas de Ana Maria Machado traz uma visão emancipatória da família, pois não vê a criança como um ser desprotegido, já que a criança tem as rédeas da situação e os pais e a avó não precisam interferir nas suas escolhas. É ela que vai atrás da solução e das respostas para os seus questionamentos. É importante lembrar que as situações e viagens que Miguel viveu, foram fruto da sua imaginação e da sua vontade por aprender. É de grande importância o fato de que os pais de Miguel são divorciados e ele tem um padrasto que trata também como pai. Esta situação causa confusão ao menino, que, quando questiona a mãe sobre isto, não recebe lições sobre o amor paterno nem uma resposta clara a respeito. O que é sinal do caráter emancipatório da obra, já que os pais não tomam a situação e apresentam respostas claras ao filho, isto permite que Miguel passe a refletir sobre a vida e procure encontrar as respostas que quer e precisa. O exílio dos pais de Miguel faz com que ele tenha que morar em vários países e por isso, seja um pequeno cidadão do mundo, que quer descobrir-se e por isso, surge o amigo Quivira (nome conferido pelo próprio Miguel) que lhe apresenta a história da América Latina, e a exploração que os povos antigos, Incas, Maias e Astecas, sofreram do colonizador europeu. Depois é a vez da Amazônia com seus índios e suas lendas, suas histórias de sofrimento e exploração, iguais e diferentes ao mesmo tempo, como diria Quivira. Por último, Miguel conhece a África com seus animais selvagens e a história dos homens cor da noite, também explorados e escravizados, agora pelos ex-colonos europeus de uma América já dominada. Estas são “as penas do mundo” que Miguel conhece e lhe são apresentadas sem um julgamento adulto que possa orientá-lo a favor de qualquer opinião. É o menino que tira as suas próprias conclusões e reflete sobre a história das terras das quais ele é filho.Mesmo apresentando a história de alguns povos, o livro não pode ser considerado didático, já que não apresenta nem mesmo os nomes das terras que Miguel visitou. Só é possível perceber se o leitor tiver um conhecimento prévio.O texto é estético já que não tem uma preocupação didática de ensinar algo às crianças. Muitos podem erroneamente julgá-lo didático, pelo fato de Quivira levar Miguel às terras distantes e responder as suas perguntas. Mas é importante notar que Quivira deixa com que Miguel descubra as próprias respostas através da reflexão, não assumindo, por sua vez, um discurso autoritário adulto.O livro destina-se ao público infantil numa faixa etária a partir de 11, 12 anos de idade. Isso se deve porque a linguagem do livro é coloquial, mas puramente literária despertando assim a imaginação e curiosidade das crianças. A temática do livro também favorece leitores dessa faixa etária.
De acordo com a classificação das idades de leitura, feita por Richard Bamberg, a obra se enquadra na 3ª fase, pois é a idade da história ambiental e da leitura factual (9 a 12 anos). É a fase intermediária, em que persistem vestígios do pensamento mágico, mas a criança começa a orientar-se mais para o real. Via de regra, o leitor escolhe, neste período, histórias que lhe apresentam o mundo como ele é, através da percepção mágica de determinado personagem. A leitura vai facilitar-lhe a apropriação da realidade, sem romper com o estágio da fantasia, que ainda não abandonou de todo. (in BORDINI e AGUIAR, 1988)
Ela não é uma obra pré-moldada, que deixa o leitor no comodismo, no conforto, pelo contrário, ela desafia a compreensão, pois exige esforço do leitor. Ela é emancipatória porque busca a tomada de consciência, exigindo uma análise estética e ideológica.Para Jauss, a literatura é fonte de prazer e conhecimento. A experiência estética liberta dos constrangimentos e da rotina, proporciona a incorporação de novas normas. A literatura como arte reflete o conhecimento do ser humano, levando em conta suas fraquezas, misérias, dores e angústias. A literatura possui função transgressora, ou seja, de modificar o modo de ser, de pensar, através da emancipação, na qual o sujeito liberta-se de padrões que lhe foram impostos e a obra atinge essa função.O livro se enquadra no período de 1965 a 1985, quando a literatura infanto-juvenil passou a ser vista como arte, pedagogia e indústria e a tratar de temas tabus como: separação conjugal, extermínio dos índios, amadurecimento sexual, repressão social, emancipação da mulher-mãe, relação entre infância e velhice, degradação da natureza, desestruturação familiar, preconceito racial e marginalização dos idosos. É feita uma análise do comportamento do adulto pela criança. A literatura infanto-juvenil desvincula-se do compromisso com valores pedagógicos, autoritários e maniqueístas. Em vez disso, um universo mágico aparece questionando os valores. A ilustração é paralela ao texto, complementa o texto escrito. É dado um novo olhar às mazelas nacionais e às angústias pessoais.As ilustrações do livro são feitas em páginas inteiras, de forma colorida e submetendo-se à múltiplas interpretações. Segundo Ana Maria Machado, “...o papel da ilustração é iluminar o texto de uma maneira pessoal, própria...” E o ilustrador chileno Gonzalo Cárcamo consegue inventar a partir do texto, mas, ao mesmo tempo, não é autônomo, havendo uma dependência com ele. O trabalho do artista é provocador, mesclando registros realistas e fantásticos, fazendo com que a função texto x ilustração seja coordenada e adequada, dando margens à imaginação do leitor.

11 comentários:

  1. tudo é uma bosta e um coco ! ODIEI. história sem graça e não é interessante. está perdendo seu tempo ;)

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    1. pois não acho!Eu estou lendo e gostei e é melhor vc lavar sua boca pq esta muito suja,aproveite e escove os dentes seu sujo!!!

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  2. eu peguei esse livro na biblioteca, mas ele é uma merda, desculpa usar esse termo, mais ele é uma merda esse livro, e pra agravar a situação eu odeio ler... muito obrigado por me salvar dessa leirua chata, segunda tenho um trabalho de literatura, vou apresentar isso, só que vou modificar algumas palavras para não ficar igual! Muito obrigado!

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  3. Ao primeiro comentário eu respondo que não estou perdendo meu tempo, toda a leitura é satisfatória desde que tenhamos paciência para compreender a mensagem do autor, seja Literatura adulta, infantil ou qualquer outra.
    Ao segundo comentário eu respondo que fiquei feliz em saber que pude ajudar, é este o motivo pelo qual fiz o blog. Mas tenho uma dica para você: muitas vezes, nós achamos que alguma coisa é chata por puro preconceito, porque colocamos ou colocaram em nossas mentes que a leitura é chata...faça a experiência da leitura aos poucos, comece com contos e poemas simples, depois, entre no mundo da Literatura mais desenvolvida e intensa...você vai ver como vale a pena ler e viajar por novos mundos sem sair de casa.

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  4. este livro é muito bom ameeii

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  5. Adorei esse livro,estou lendo e estou gostando...amei!

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  6. Li esse livro em 1996, quando tinha apenas treze anos, e amei! Ele é mesmo muito bom. Quem não o compreende e/ou não consegue apreciar o estilo, ou não tem prática de leitura, ou está muito acostumado aos atuais chick-lits e demais livros de entretenimento, em que tudo é passado de modo simples. O gosto pela leitura e a compreensão dos diversos gêneros só vêm com a prática. É melhor abandonar as críticas infundadas e começar a ler os gêneros mais simples até obter maturidade na leitura.

    Gostei muito do resumo!

    Grande abraço,

    Isie Fernandes - de Dai para Isie

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  7. Ana maria machado foi eleita em 2011 presidente da Academia brasileira de letras.

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  8. Eu devo ser uma aberração,pois prefiro livro didático à ficção e o gênero de cinema que mais gosto é o documentário.

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  9. Melhor livro que já li!!!

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  10. O livro é muito bom adorei!

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